Florianópolis aposta na produção da ostra como um dos pilares da economia
Com a expectativa de comercializar 30 mil dúzias de ostras, os estabelecimentos credenciados para a 22ª edição da Fenaostra, que começa hoje e vai até o próximo domingo (8), estão prontos para servir aos visitantes pratos preparados com o molusco que é símbolo de Florianópolis. Responsável por 97% de todas as ostras que são consumidas no Brasil, a Capital tem na relação com o alimento um ponto forte da economia, e prova disso é a festa.
A produção teve início há quase 40 anos, quando os primeiros estudos começaram na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Atualmente, diversas famílias sobrevivem daquilo que é produzido nas fazendas marinhas, caso de Luiz Carlos Costa e Leonardo Costa, pai e filho que compartilham a experiência e a proximidade com o alimento. “Temos, habitualmente, um número de produção média/ano de 100 mil dúzias”, diz o filho Leonardo.
Em funcionamento desde 1987, a fazenda foi uma das primeiras nos estudos realizados em parceria com a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), contribuindo para o avanço da produção. Essa experiência deu origem ao Freguesia Oyster Bar, comandado por Leonardo, que transformou o cultivo em gastronomia. “Após 11 anos dedicados ao cultivo, decidimos abrir o restaurante com o objetivo de ensinar as pessoas a apreciar as ostras”, conta.
As ostras deram a Florianópolis o título de Cidade Criativa Unesco da Gastronomia, e os investimentos começaram com o objetivo de ampliar as fontes de renda dos pescadores, que na época receberam as primeiras sementes para cultivar aquilo que, anos depois, seria um dos pilares da economia manezinha.
O diferencial daquilo que é produzido na Capital rendeu até mesmo o pedido por um selo de identificação geográfica, ação que tem como objetivo evidenciar a exclusividade das ostras. Com 292 produtores de moluscos, Santa Catarina produziu 1.707 toneladas de ostras do Pacífico em 2023, de acordo com dados da Epagri.
Desse total, Florianópolis ocupa a primeira posição, com 1.312 toneladas, seguido de Palhoça (194 toneladas), e São José (178 toneladas). No caso das ostras nativas, foram produzidas 25 toneladas, sendo Florianópolis responsável por 24 toneladas, liderando o ranking.
Prontos para mais uma Festa da Ostra
A Fenaostra começa hoje com a expectativa de aumentar em 20% o faturamento em comparação com o ano anterior, e terá abertura para o público às 11h, com cerimônia às 19h. O festival da ostra segue até o próximo domingo (8), no CentroSul.
A estimativa de público é de 70 mil pessoas, um aumento de 16,6% em comparação com o ano anterior, quando 60 mil prestigiaram o evento, de acordo com a The Bem Agência, empresa responsável pela comunicação.
Entre restaurantes e quiosques, 14 estabelecimentos estão confirmados no festival. Para quem participa das edições desde o início, caso do Freguesia, esse é o momento de intensificar as produções.
“A Fenaostra é um evento importante para o setor produtivo. É o ponto alto do ano. Passamos alguns meses produzindo exclusivamente para o evento”, diz Leonardo. O restaurante apresentará 12 opções aos visitantes, incluindo uma ainda não testada na Fenaostra. “É um prato fresco, leve, então acredito que o ceviche vai chamar muito a atenção das pessoas”, conta o empresário.
Para estreantes como o Barracuda Restaurante, a expectativa é de vender cerca de 2.000 pratos, destacando combinações de ostras e frutos do mar. Ao longo dos seis dias de evento, o gerente financeiro, Leontino Luís Cabral, estima um faturamento de R$ 170 mil.
A venda de bebidas alcoólicas e a opção do “prato manezinho”, no valor de R$ 35, são alternativas que devem movimentar o consumo. A entrada é gratuita durante o dia e as atrações musicais noturnas são pagas. A Fenaostra terá na decoração itens da cultura açoriana, além de espaço para crianças e uma feira de artesanato com 60 expositores.
Números do setor produtivo
Santa Catarina
- 292 produtores de moluscos
- Total de ostras: 1.707 toneladas
Microrregiões Florianópolis — 1.689 toneladas
- Florianópolis – 1.312 toneladas
- Palhoça – 194 toneladas
- São José – 178 toneladas
Itajaí e Joinville — 18 toneladas
- Microrregiões Itajaí – 14 toneladas
- Microrregiões Joinville – 4 toneladas
(ND, 03/12/2024)
Publicado em 03 dezembro de 2024