Falta planejamento em Florianópolis

Por Moacir Pereira (DC, 11/12/2011)
Todas as cidades que cresceram e se tornaram metrópoles em áreas planas, sem acidentes geográficos, precisaram de planejamento. Seus obstáculos são infinitamente menores do que os municípios criados na calha dos rios cercados por morros ou insulares.
A Ilha de Santa Catarina é recheada de acidentes geográficos. Só não tem vulcão. É extensa no comprimento e estreita na largura. É coberta de morros, mangues, cachoeiras, montes, rios, dunas, pontas, lagoas, etc. Não sobreviverá sem planejamento mínimo. Já vive o drama da mobilidade, o maior inferno de seu povo. Paga hoje o preço da improvisação de obras públicas estaduais e municipais e de um sistema de sinalização de trânsito jurássico.
Blumenau leva aí nítida vantagem sobre a Capital. A prefeitura, a população e o setor produtivo sabem exatamente onde não podem instalar empreendimentos e onde as moradias estão proibidas, pelos riscos de enchentes e deslizamentos. Há um moderno “Blumenau 2050”, que projeta a cidade para o futuro.
Se hoje viessem empreendedores para grandes investimentos em informática, tecnologia e turismo – as três vocações não poluentes da cidade – certamente o omisso Ipuf-Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis – teria apenas informações residuais. É o lado continental que deve ser incentivado? Sendo na restrita área insular os investidores terão garantia de infraestrutura? No norte ou no sul? O crescimento desordenado da construção civil nas bacias do Itacorobi e do Córrego Grande é um escândalo de precariedade. Densidade super concentrada com estradas abertas para carroças no tempo do Império. E o poder público, em todos os governos, nem conteve, nem disciplinou e nem planejou.
Candidatos não faltam na praça para as eleições de 2012. De nenhum deles se ouviu até agora uma única palavra sobre “planejar para o futuro”.


Publicado em 12 dezembro de 2011

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Planejamento, Radar
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