Marcus Rocha destaca economia criativa, inovação e gastronomia de Florianópolis em entrevista ao Tech SC

Diretor de Economia Criativa Adjunto da FloripAmanhã, Marcus Rocha, durante entrevista à apresentadora e criadora do Tech SC, Rúbia Laidens.
A relação entre economia criativa, inovação, gastronomia e desenvolvimento sustentável em Florianópolis foi tema de entrevista concedida pelo ponto focal do Programa Florianópolis Cidade Criativa UNESCO da Gastronomia e diretor de Economia Criativa Adjunto da FloripAmanhã, Marcus Rocha, ao programa Tech SC. A conversa foi conduzida pela apresentadora e criadora do programa, Rúbia Laidens.
Durante a entrevista, Rocha explicou como a economia criativa reúne atividades que utilizam a criatividade de forma intensiva, abrangendo desde games e artes midiáticas até setores como gastronomia, artesanato, design e arquitetura. “É qualquer atividade econômica que aplica intensivamente a criatividade. É um campo bastante vasto e muito importante”, explica.
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“É qualquer atividade econômica que aplica intensivamente a criatividade. É um campo bastante vasto e muito importante”, explica.
Cidade Criativa UNESCO: compromisso de trabalho
Um dos temas abordados foi a participação de Florianópolis na Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A cidade integra a Rede na categoria Gastronomia desde 2014.
Rocha destacou que o reconhecimento representa um compromisso permanente com o fortalecimento da economia criativa.
“Não é um prêmio. Na verdade, é um compromisso de trabalho para que a economia criativa seja cada vez mais forte na nossa cidade”, destaca.
O Programa Florianópolis Cidade Criativa UNESCO da Gastronomia é coordenado pela FloripAmanhã. Durante a entrevista, Rocha explicou que a representação da cidade perante a UNESCO é feita pela Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação e da Subsecretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação.
À FloripAmanhã cabe a atuação técnica como ponto focal do Programa, envolvendo curadoria, articulação e representação institucional, por delegação da Prefeitura de Florianópolis.
Gastronomia conecta outros setores criativos
Para Rocha, a gastronomia ocupa uma posição importante dentro da economia criativa de Florianópolis e pode ajudar a aproximar outros setores, estimulando inovação e desenvolvimento.
A entrevista também abordou a relação entre economia criativa e sustentabilidade. Segundo ele, essa perspectiva precisa considerar de forma integrada as dimensões econômica, social e ambiental.
Rocha comentou ainda o resultado de um ranking da Adobe citado durante o programa, no qual Florianópolis alcançou 74 pontos em uma escala de zero a cem, aparecendo como a cidade brasileira com maior pontuação em criatividade, além da 90ª posição na classificação global.
Arranjo aproxima inovação das vocações econômicas da cidade
Outro tema destacado foi o Arranjo Promotor de Inovação (API), instrumento da política municipal de inovação criado para aproximar tecnologia e setores econômicos estratégicos de Florianópolis.
Segundo Rocha, o objetivo é fazer com que a inovação gere ganhos concretos de competitividade para os negócios.
“A inovação não é qualquer novidade que a gente leva para os negócios. É uma novidade que tem que causar uma melhoria na competitividade”, explica.
Florianópolis conta com um API dedicado à economia criativa, com foco em artesanato, gastronomia e artes midiáticas, tendo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Florianópolis (CDL) como entidade gestora.
Na entrevista, Rocha também relacionou o arranjo aos avanços observados na cadeia produtiva da gastronomia. Segundo ele, o papel do API é aproximar esses setores de diferentes formas de tecnologia, incluindo soluções digitais, biotecnologia, nanotecnologia, materiais e novos processos.
“Serve para levar cada vez mais tecnologia para fortalecer a competitividade de toda a cadeia produtiva da gastronomia e de todo o restante da economia criativa”, destaca.
Na atual gestão, a FloripAmanhã também conta com uma diretoria dedicada à inovação, ampliando dentro da Associação a conexão entre tecnologia, economia criativa e desenvolvimento econômico.
Florianópolis amplia atuação internacional
Rocha também falou sobre sua atuação como vice-coordenador mundial das Cidades Criativas UNESCO da Gastronomia.
Segundo explicou durante a entrevista, Florianópolis ocupa a vice-coordenação da sub-rede em 2026 e 2027 e deverá assumir a coordenação no período de 2028 a 2029.
A participação permite que Florianópolis compartilhe experiências locais, acompanhe iniciativas desenvolvidas em outros territórios e amplie sua presença nas articulações internacionais da Rede.
Tecnologia chega à cadeia produtiva da ostra
A produção de ostras de Florianópolis foi apresentada na entrevista como um exemplo de integração entre gastronomia, conhecimento e inovação.
Rocha lembrou que a atividade resulta de um processo desenvolvido ao longo de décadas e que novas tecnologias vêm sendo incorporadas em diferentes etapas da cadeia produtiva.
Entre os exemplos citados está o uso de visão computacional e inteligência artificial no beneficiamento e na seleção das ostras, auxiliando na identificação de características como tamanho, qualidade e condições do produto.
Outro exemplo é o desenvolvimento da ostra enlatada, que envolve processos de biotecnologia para ampliar a durabilidade e criar novas possibilidades de comercialização.
Para Rocha, esses casos mostram que a inovação aplicada à gastronomia não se limita às tecnologias digitais. Ela também pode envolver biotecnologia, nanotecnologia, materiais e processos produtivos.
“Esse é só um exemplo de como temos integrado os nossos ecossistemas e as nossas comunidades de inovação a um setor em que, a princípio, nem sempre se pensa em inovação tecnológica: a gastronomia”, comenta Rocha.
Publicado em 28 setembro de 2026