Pichações desafiam preservação do patrimônio no Centro da Capital

O cenário não é o mesmo dos anos anteriores, porque o monitoramento aumentou e o cuidado com a cidade também. Ainda assim, há quem afronte a lei e cometa o crime de pichação, sujando repartições públicas e prédios históricos de Florianópolis.

Na tarde de quarta-feira (12), três pessoas foram filmadas pichando a antiga Estação de Elevação Mecânica de Florianópolis e, posteriormente, detidas em flagrante. Conhecido como Castelinho da Praça XV ou Museu do Saneamento, o monumento, construído em 1910, fica na rua Antônio Luz, no Centro.

A ocorrência expôs um problema que ainda persiste na região central, mesmo diante do reforço na fiscalização. Basta circular alguns minutos pelas ruas do Centro para encontrar pichações, como no prédio do Procon, próximo ao terminal Cidade de Florianópolis, em imóveis no Largo da Alfândega e nas proximidades da Praça Pio XII, na rua Felipe Schmidt. Crimes que atingem edificações públicas, de relevância histórica e arquitetônica da Capital.

Segundo a vice-prefeita e secretária de Segurança e Ordem Pública de Florianópolis, Maryanne Mattos, houve uma redução nas pichações em relação aos anos anteriores. A estratégia, segundo ela, combina tecnologia, presença dos agentes nas ruas e colaboração de voluntários ajudando a identificar os autores.

No caso do Castelinho, os pichadores foram localizados pelo videomonitoramento e detidos pela Guarda Municipal. Depois da abordagem, foram encaminhados à Polícia Civil. A partir daí, segundo Maryanne, cabe ao Judiciário definir as medidas.

“Continuamos agindo e sempre que pegamos esse tipo de crime, damos prioridade, porque queremos a cidade em ordem”, afirma.

Reparação

A legislação brasileira caracteriza a pichação como crime e prevê responsabilização para quem degrada edificações ou monumentos. Para a administração municipal, entretanto, o combate não termina na identificação e detenção dos responsáveis.

O foco é também acelerar a recuperação dos locais atingidos, evitando que a marca permaneça por períodos prolongados e transmita sensação de abandono.

Atuação rápida do movimento Aliança por Floripa ajuda na limpeza

É neste trabalho de recuperação que entra o Aliança por Floripa, que reúne entidades e voluntários em ações de cuidado com a cidade. Conseg Centro, CDL Florianópolis e ACIF estão entre os proponentes do projeto.

Segundo Maryanne, pessoas que deixaram a situação de rua e participaram de cursos de zeladoria atuam na recuperação de locais públicos.

“Se algum lugar apareceu pichado, monitoramos para pegar o criminoso e, paralelo a isso, encaminhamos o pessoal do Aliança por Floripa para a pintura do local”, explica.

No entanto, para o presidente do Conseg Centro, Rodrigo Marques, representante do Aliança por Floripa, o episódio no patrimônio histórico provoca uma discussão que vai além da fiscalização.

Ele considera que a rápida liberação dos três envolvidos, após os procedimentos legais, alimenta entre os moradores a percepção de que as consequências para quem picha ainda são insuficientes.

“Causa indignação à sociedade ver três pessoas detidas em flagrante por pichar um patrimônio histórico de Florianópolis, poucas horas depois, estarem novamente nas ruas, sem nem sequer terem reparado o dano causado”, afirma Marques.

Experiências externas

O Conseg Centro pretende aprofundar o levantamento sobre a legislação existente e analisar experiências de outras cidades brasileiras. A intenção é discutir mecanismos que possam resultar em consequências mais efetivas para os responsáveis, especialmente a possibilidade de reparação dos danos provocados, dentro dos limites da legislação.

Enquanto a discussão sobre novas medidas avança, a própria sociedade civil tem participado da recuperação dos locais atingidos. Após a pichação do Castelinho, a Aliança por Floripa limpou o patrimônio, segundo Marques.

“Enquanto alguns insistem em degradar o patrimônio que pertence a todos, a sociedade civil organizada responde cuidando, recuperando e preservando a nossa cidade”, destaca.

(ND, 14/08/2026)


Publicado em 14 agosto de 2026

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