Dados do IBGE apontam avanços e desafios da educação em Florianópolis e Santa Catarina

A Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Câmara Municipal de Florianópolis realizou, na tarde desta terça-feira (2), uma reunião ampliada para a apresentação de dados e indicadores da educação referentes ao município e ao Estado de Santa Catarina. O encontro atendeu a requerimento do vereador Pastor Giliard Torquato (PL) e contou com a participação do superintendente estadual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Santa Catarina, Roberto Kern Gomes.

O objetivo da iniciativa foi oferecer aos vereadores, profissionais da educação e à sociedade um panorama atualizado sobre a realidade educacional catarinense, contribuindo para o debate e a formulação de políticas públicas voltadas ao setor.

Durante a reunião, foram apresentados dados do Censo Demográfico e da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação. O levantamento investiga fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes entre 13 e 17 anos, abordando temas como alimentação, atividade física, saúde mental, segurança, ambiente familiar e escolar, além do uso de álcool, tabaco e outras drogas.

Entre os indicadores destacados, Florianópolis apresentou resultados positivos. A capital registrou redução no percentual de meninas que já engravidaram pelo menos uma vez na vida, passando de 4,1% em 2019 para 1,5% em 2024. Em Santa Catarina, o índice passou de 3,7% para 5,6%, permanecendo entre os menores do país. Quando analisado o tipo de rede de ensino, os dados mostram que, no estado, o percentual é de 6,1% na rede pública e de 1% na privada. Em Florianópolis, o cenário é inverso: 1,2% na rede pública e 2,3% na rede privada.

Outro dado que chamou atenção foi o aumento dos relatos de estudantes que afirmaram que já foram ameaçados, intimidados ou obrigados a manter relações sexuais ou praticar qualquer ato sexual contra a própria vontade. Em Santa Catarina, o índice passou de 6,1% em 2019 para 7,7% em 2024. Em Florianópolis, o percentual aumentou de 7% para 9,2%. Entre os casos registrados em 2024, 67,3% das vítimas catarinenses e 58% das vítimas da capital tinham menos de 13 anos de idade.

Apesar dos desafios apontados pela pesquisa, Roberto Kern Gomes destacou indicadores considerados positivos para o estado e para Florianópolis. “Foram vários dados animadores, como a taxa de analfabetismo de Florianópolis, que é a menor entre todas as capitais do país, assim como a taxa de analfabetismo de Santa Catarina, que é a menor entre todas as unidades da federação. Também observamos a queda no consumo de bebidas alcoólicas e de cigarros. Além disso, Santa Catarina e Florianópolis apresentam os menores percentuais de meninas que engravidam entre 13 e 17 anos. São indicadores positivos para o estado e para a capital”, afirmou.

Para a presidente do Conselho Estadual de Educação, Patrícia Luerdes, os números reforçam a importância de utilizar evidências para orientar políticas públicas. “Não há planejamento sem indicadores, sem diagnóstico. Os dados mostram que cada resultado tem uma causa. O que percebemos é uma necessidade muito grande desses estudantes, entre 13 e 17 anos, de conversar e dialogar. É importante olhar para cada dado e construir políticas públicas que possam enfrentar essas questões”, destacou.

O presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto, o vereador Pastor Giliard, ressaltou que os indicadores ajudam a identificar demandas que muitas vezes permanecem invisíveis. “A partir dos dados, a gente começa a perceber aquilo que estava silencioso. E, como legislador e agente de política pública, podemos focar naquilo que os números apontam como necessidade”, afirmou.

Ao final do encontro, a agente de pesquisa e mapeamento do IBGE, Rubenita Cecan, utilizou a Tribuna Livre para compartilhar experiências observadas durante a realização da PeNSE. “De maneira geral, as pessoas têm uma carência muito grande de falar sobre problemas difíceis. O que vivenciamos ao longo da pesquisa foi a necessidade dos jovens de falar sobre os assuntos abordados, mesmo respondendo ao questionário de forma sigilosa. Os adolescentes querem ser ouvidos, e quanto mais informações estiverem disponíveis, melhores serão as políticas públicas para o futuro”, concluiu.

(CMF, 03/06/2026)


Publicado em 05 junho de 2026

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Educação, Radar
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