X ECriativa reúne cidades criativas brasileiras em Florianópolis
Florianópolis recebeu representantes das cidades criativas brasileiras para discutir caminhos de cooperação em cultura, gastronomia, inovação, economia criativa e desenvolvimento sustentável. O Florianópolis 2026 | X ECriativa, Fórum das Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil, ocorreu de 13 a 16 de maio, com programação técnica, debates, apresentações e momentos de integração entre os participantes.
O encontro foi realizado pela Prefeitura de Florianópolis, pelo Sebrae de Santa Catarina, pela Associação FloripAmanhã e pela Rede Brasileira de Cidades Criativas UNESCO (RBCC). A programação reuniu gestores públicos, representantes de instituições, pesquisadores, profissionais da cultura, da gastronomia e da economia criativa, além de integrantes das cidades brasileiras reconhecidas pela Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO.
Carta de Florianópolis consolida compromissos entre cidades criativas
Um dos marcos do X ECriativa foi a assinatura da Carta de Florianópolis, realizada na noite de sexta-feira, 15 de maio, durante a solenidade do encontro. O documento consolida compromissos estratégicos entre as cidades criativas brasileiras para fortalecer a cultura, a inovação, o empreendedorismo, a cooperação em rede e o desenvolvimento sustentável dos territórios.
A carta foi assinada pelo presidente da FloripAmanhã, Daniel Araújo, pela diretora de Economia Criativa da FloripAmanhã, Anita Pires, pelo prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, e por representantes das outras 14 cidades criativas da Rede UNESCO no Brasil.
Entre os principais encaminhamentos, o documento propõe a criação do Programa Acelera RBCC, voltado à aceleração de projetos integradores; a estruturação de um pipeline nacional de captação de recursos em rede; o compromisso de cada cidade liderar projetos colaborativos até o próximo ECriativa; e o fortalecimento da futura Rede Brasileira de Territórios Criativos.
A Carta de Florianópolis também destaca a importância dos Grupos de Trabalho e Afeto (GTAs), que atuarão em áreas como comunicação estratégica, governança, indicadores, inovação, sustentabilidade, relações institucionais e captação de recursos.
Mais do que um registro do encontro, o documento representa um chamado à ação para unir cidades, instituições, universidades, empresas, organismos internacionais e agentes culturais em torno da criatividade como vetor de desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental para o Brasil.
Assinatura da Carta de Florianópolis.
- Daniel Araújo – Presidente da FloripAmanhã
- Anita Pires – Diretora de Economia Criativa da FloripAmanhã
- Topázio Neto – Prefeito de Florianópolis
Abertura oficial debate financiamento cultural e políticas públicas
A abertura oficial foi realizada na tarde de quinta-feira, 14/05, na Casa Hurbana, em Florianópolis. A cerimônia contou com a participação da Secretaria Municipal de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação de Florianópolis, representada por Ana Paula Pacheco, dos representantes do Grupo Focal de Florianópolis, Anita Pires e Marcus Rocha, e do coordenador da Rede Brasileira de Cidades Criativas UNESCO, Marcelo de Barros.
A programação trouxe reflexões sobre políticas públicas, desenvolvimento territorial e mecanismos de financiamento para projetos culturais e de economia criativa. Entre os temas abordados estiveram o fortalecimento da economia criativa no Brasil, a captação de emendas parlamentares para projetos do setor e os desafios da execução de iniciativas aprovadas por leis de incentivo.
O professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e coordenador da Cátedra UNESCO em Economia Criativa e Políticas Públicas, Magnus Emmendoerfer, apresentou iniciativas e pesquisas voltadas ao desenvolvimento da economia criativa no país. A representante do Ministério do Turismo, Ângela Baltazar, participou de forma online com orientações sobre possibilidades de acesso a recursos para municípios e instituições.
Também de forma online, a secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, anunciou a assinatura da Política Nacional de Economia Criativa, Brasil Criativo, prevista para 30 de maio. A iniciativa foi apresentada como um marco para o fortalecimento das políticas públicas do setor no país.
Outro momento da programação foi o painel sobre os desafios da captação de recursos para projetos culturais aprovados por leis de incentivo, com a participação do coordenador da Rede Brasileira de Cidades Criativas UNESCO, Marcelo de Barros, de Luciane Pedro, da Engie, e de Luiz Salomão Ribas Gomez, da TXM Methods. O debate abordou inovação, parcerias e sustentabilidade de projetos criativos.
A programação também contou com o lançamento do gibi “Missão Nutrir”, apresentado pela professora Clarissa Stefani Teixeira, e com um coquetel de integração entre os participantes.
A abertura foi realizada na Casa Hurbana, em Florianópolis.
Visitas técnicas do X ECriativa aproximaram os participantes da cultura, da paisagem e da gastronomia de Florianópolis, com roteiro por engenhos, edificações coloniais açorianas, catamarã e fazendas marinhas de produção de ostras.
Economia criativa conecta diferentes vocações

Anita Pires
Para a diretora de Economia Criativa da FloripAmanhã, Anita Pires, a presença das cidades criativas em Florianópolis reforça uma trajetória construída a partir da vocação da cidade para a gastronomia e o turismo.
“Quando a gente pensou qual era a vocação de Florianópolis, a gente já percebeu a questão da gastronomia e a questão do turismo. E hoje, 10, 15 anos depois, a gente percebe que realmente o caminho é esse, inclusive com esse evento, com 14 cidades discutindo esse assunto”, destaca Anita.

Marcus Rocha
Para o diretor adjunto de Economia Criativa da FloripAmanhã, Marcus Rocha, o evento também contribui para divulgar a cidade por meio da experiência dos participantes. “As pessoas vieram para cá também para conhecer Florianópolis. Estão aproveitando os nossos bares e restaurantes e isso vai ser espalhado Brasil afora, não só nas mídias sociais, mas também no boca a boca, afinal de contas são todos formadores de opinião”, comenta Marcus.

Bruno Cunha
O gestor de Economia Criativa, Bruno Cunha, reforça o papel do encontro na articulação nacional das cidades reconhecidas pela UNESCO. “Esse evento é muito importante, porque durante esse encontro nós vamos juntar todas as cidades criativas da UNESCO para discutir como fortalecer a economia criativa aqui no Brasil, porque ela movimenta a cidade como um todo”, comenta Cunha.

Magnus Emmendoerfer
O coordenador geral da Cátedra UNESCO, Magnus Emmendoerfer, observa que a realização do encontro em Florianópolis contribui para aproximar pessoas e instituições interessadas em novos empreendimentos. “Quando Florianópolis faz esse tipo de atividade, ela está convidando pessoas que querem empreender, pessoas que querem desenvolver novos empreendimentos a fazer parcerias, seja por turismo, gastronomia ou por outros meios”, afirma Emmendoerfer.

Juliano Richter Pires
O secretário de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação de Florianópolis, Juliano Richter Pires, destaca a importância de reunir diferentes atores em torno de uma mesma agenda. “Para a gente é sempre muito importante esse tipo de evento, porque traz todo mundo para o mesmo palco, traz todo mundo para a mesma discussão e a gente acaba crescendo como grupo”, afirma o secretário.

Marcelo Alves de Barros
Já o coordenador geral da Rede Brasileira de Cidades Criativas UNESCO, Marcelo Alves de Barros, ressalta a capacidade da economia criativa de aproximar diferentes perfis e setores. “Através da economia criativa você é capaz de colocar numa mesma mesa uma dona de casa, uma costureira, uma artesã, um chef e também um cientista da computação para desenvolver soluções de economia criativa”, destaca Marcelo.
Gastronomia local valoriza território, memória e sustentabilidade
A programação aberta também contou com coquetel conduzido pelo chef Narbal Corrêa, que apresentou uma proposta baseada nas origens, memórias e tradições da gastronomia de Florianópolis e de Santa Catarina.
A preparação valorizou ingredientes do mar, influências açorianas, indígenas e brasileiras, além de produtos locais. A proposta apresentada pelo chef partiu do conceito de Cozinha Fuji, que une gastronomia, território, ancestralidade e sustentabilidade a partir da relação entre montanha e mar.
Para o chef Narbal Corrêa, Florianópolis reúne características que tornam a cidade um território singular para essa abordagem: a força da cultura açoriana, a tradição pesqueira, a produção agrícola local, os ingredientes vindos do mar e da serra e uma gastronomia criativa reconhecida internacionalmente.
“O que eu fiz aqui foi uma viagem pela nossa culinária. Tudo que vocês vão experimentar é de Santa Catarina, inclusive o azeite de oliva. Tudo, absolutamente tudo”, comenta Narbal.
Durante a apresentação, o chef também destacou a relação histórica entre diferentes culturas alimentares presentes no território. Segundo ele, a cozinha de Florianópolis carrega camadas de influência que passam pelos povos originários, pela presença portuguesa e por outras matrizes culturais que ajudaram a formar a identidade alimentar local.
Florianópolis mostra, por meio da gastronomia, que criatividade também é pertencimento, memória, desenvolvimento cultural e valorização do território.
Chef Narbal Corrêa
Florianópolis na Rede Mundial de Cidades Criativas
Florianópolis integra a Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO desde 2014, na categoria Gastronomia. A conquista teve participação da FloripAmanhã, que coordena o Programa Florianópolis Cidade Criativa UNESCO da Gastronomia em articulação com poder público, instituições de ensino, entidades da sociedade civil e representantes do setor produtivo.
A cidade foi a primeira do Brasil a receber a chancela da UNESCO na categoria Gastronomia. Desde então, o programa contribui para ampliar a visibilidade da gastronomia local, fortalecer o turismo, promover a cultura alimentar e estimular conexões com outras cidades criativas no Brasil e no exterior.
Atualmente, a Rede Brasileira de Cidades Criativas UNESCO reúne municípios reconhecidos em diferentes campos criativos, como gastronomia, design, cinema, literatura, música, artesanato e artes midiáticas. Esses territórios compartilham o compromisso de utilizar a criatividade e a cultura como ferramentas para o desenvolvimento sustentável, a inovação e a inclusão social.
Rede define próximos encontros
Durante o encerramento do X ECriativa, também foram anunciadas as próximas agendas da Rede Brasileira de Cidades Criativas UNESCO. O próximo encontro será realizado em São Paulo, em outubro de 2026. Em 2027, a programação seguirá com edição em João Pessoa, em março, e em Belo Horizonte, em outubro.
A definição das próximas cidades reforça a continuidade da articulação em rede e o compromisso dos municípios com a construção de projetos colaborativos voltados à cultura, à inovação, à economia criativa e ao desenvolvimento sustentável.
Com a realização do X ECriativa, a assinatura da Carta de Florianópolis e o anúncio das próximas agendas da rede, a capital catarinense reafirma seu papel na articulação entre cidades criativas brasileiras e na construção de projetos colaborativos capazes de conectar saberes, sabores, territórios e futuros possíveis.
Publicado em 18 maio de 2026














































