Cidade da Cultura: futuro bairro completo

Artigo de Valério Gomes Neto
Empresário

O debate sobre os futuros usos do terreno da Penitenciária Estadual representa oportunidade rara para Florianópolis, porque trata-se de um dos poucos grandes vazios urbanos bem localizados da cidade. Mais do que redefinir o ambiente dessa área específica no bairro Agronômica, o espaço da Cidade da Cultura pode se tornar uma referência de boas práticas do novo urbanismo na relação entre cidade, cultura e qualidade de vida urbana.

Conceber ali um bairro completo e não apenas implantar equipamentos culturais isolados e sem conexão com o tecido urbano é o verdadeiro desafio de seu planejamento. Completo é um lugar onde seja possível morar, trabalhar, estudar e se divertir, com a cultura presente no cotidiano das pessoas. Afinal, a experiência internacional demonstra que áreas exclusivas para equipamentos culturais tendem a esvaziar fora dos horários de eventos, enquanto bairros vivos mantêm o fluxo constante e a diversidade de usos e, como efeito indireto, uma segurança urbana natural.

A Cidade da Cultura precisa ser, antes de tudo, cidade. No ponto nodal dos acessos ao Centro, à Trindade e ao Norte da Ilha, tem potencial para ser um território ativo ao longo do dia e da noite, com moradia, serviços e comércio de proximidade, espaços públicos e áreas verdes, em suma, onde os equipamentos culturais convivam de forma orgânica com a vida urbana do entorno.

Nesse novo lugar cabem também possíveis um centro esportivo com quadras polivalentes e quadra central coberta, capaz de receber grandes eventos esportivos e comunitários, e uma conexão por teleférico que interligue, panoramicamente, a Cidade da Cultura ao Morro da Cruz e ao Manguezal do Itacorubi, criando um circuito verde para pedestres, entre natureza, esporte e lazer.

E, para consolidar essa Cidade da Cultura para as pessoas, é fundamental preservar e qualificar o CIC (Centro Integrado de Cultura), espaço amado pela população que abriga o Masc (Museu de Arte de Santa Catarina) e o Teatro Ademir Rosa, instituições valiosas para quem vive a cidade. Transformar o terreno da penitenciária em um bairro completo, vibrante e inclusivo é pensar Florianópolis para as próximas gerações, entendendo que cultura, esporte, urbanismo e qualidade de vida sempre podem caminhar juntos.

(ND, 07/02/2026)


Publicado em 09 fevereiro de 2026

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Artigos, Cultura, Desenvolvimento, Radar
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