Tesouro escondido em mangues de SC tem potencial para gerar lucro de R$ 10 milhões por ano
Da Coluna de Estela Benetti (NSC, 24/06/2026)
Os mangues são ecossistemas que geram créditos carbono azul, com valor de mercado equivalente a 10 vezes os créditos de florestas porque abrigam diversidade natural mais eficiente. Santa Catarina conta com cerca de 6.300 hectares de mangues no litoral, que podem garantir receita de R$ 10 milhões por ano. A falta de preservação dos mangues e seu potencial econômico foram tema de evento do Mês do Meio Ambiente, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
O Encontro sobre Manguezais Catarinenses foi uma iniciativa do Instituto Mauro Passos de Proteção Ambiental e Climática (Impac), em parceria com a Comissão do Meio Ambiente da Alesc. Falaram sobre o tema os professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Paulo Horta e Paulo Pagliosa, o CEO da empresa Carbon Zero, Carlos Alberto Ferreira, e o deputado Marquito (Psol), presidente da comissão.
Baia da Babitonga tem maior mangue de SC
– Muitas pessoas associam os manguezais ao Norte e Nordeste do país, mas Santa Catarina também possui áreas extremamente relevantes, embora menores em extensão, mas elas possuem uma enorme importância ecológica. E uma das regiões mais importantes é a Baia da Babitonga, no Norte do estado. Outra região importante são os manguezais da Grande Florianópolis – destacou Ferreira, que faz estudos sobre mangues em diversos estados do Brasil.
Segundo ele, os 6.300 hectares de mangues de SC têm potencial para gerar 63 mil créditos de carbono por ano. Cada crédito, atualmente, custa US$ 10 dólares e o total estimado para SC é de US$ 1,8 milhão por ano (R$ 10 milhões). Quem compra esses créditos normalmente são empresas de transporte marítimo.
A preservação e recuperação dos manguezais é relevante para o equilíbrio ambiental, proteção das áreas litorâneas e também para a geração de renda via venda de créditos. Os mangues têm capacidade quatro vezes maior de capturar carbono na comparação com as florestas e retêm carbono por mais tempo.
O deputado Marquito chamou a atenção sobre a crescente degradação de manguezais do estado, que estão presentes desde Itapoá até Laguna. Destacou sobre a importância de informar sobre esse ecossistema a todos, em especial na educação ambiental de crianças e jovens.
– Temos como superar as mudanças climáticas através dessas ações proativas de preservação do meio ambiente, dos ecossistemas. Eles se recuperam, se regeneram, se reestabilizam, mas é preciso ação concreta nesse sentido – alertou Marquito.
Mangues são “florestas marinhas”
O professor e biólogo Paulo Horta afirmou que os manguezais são florestas marinhas fundamentais para o equilíbrio planetário. Elas também são capazes de cuidar da qualidade da água e recuperar a balneabilidade das praias.
– Os limites planetários foram implodidos. Os oceanos estão poluídos, mais quentes, e não param de subir, e os manguezais não são imunes a essa situação – enfatizou Paulo Horta
Paulo Pagliosa, também professor e biólogo da UFSC, explicou que os mangues sequestram quatro vezes mais gás carbônico que as florestas e retêm o carbono de 12 a 30 vezes mais.
– Nos últimos anos, vimos mais de 100 solicitações de construções de moles e piers em Santa Catarina, e 18 solicitações de aterros de praias – destacou Paulo Pagliosa.
Tema se torna prioridade do Impac
O presidente do Impac, engenheiro e ex-deputado Mauro Passos, avaliou que o amplo debate sobre os mangues mostrou que o instituto está no caminho certo, de priorizar temas ambientais relevantes para o estado.
– Esse evento é o início de um debate importantíssimo para Santa Catarina. As informações apresentadas motivam a me envolver ainda mais com o tema – disse Mauro Passos.
Para ele, entre os esclarecimentos positivos estão as diferenciações desse ecossistema, seu valor maior para o desenvolvimento econômico, social e ambiental. Foi esclarecido também que o crédito ambiental vai para os proprietários das áreas de mangues, podendo ser o setor público ou o setor privado (famílias e empresas).
Publicado em 24 junho de 2026