Ceticismo se justifica, mas novo plano de mobilidade da Grande Florianópolis pode dar certo

Da Coluna de Renato Igor (NSC, 12/01/2026)

Em toda discussão sobre qualquer plano de mobilidade para a Grande Florianópolis, o ceticismo é presença certa. As pessoas não acreditam mais em nada — e isso se justifica. Foram anos de promessas que jamais saíram do papel: ônibus rápido (BRT), corredores exclusivos, metrô de superfície, transporte marítimo e até teleférico. Nada aconteceu. Nada saiu da maquete e do PowerPoint.

Mas por que a retomada do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (Plamus/2015), agora com dados atualizados, pode dar certo? Talvez seja melhor inverter a pergunta para encontrar a resposta: por que o Plamus não aconteceu?

O Plamus nasceu de cima para baixo. À época, o governo estadual encomendou o estudo e tentou implementá-lo com pouco diálogo com os municípios, que acabaram resistindo. Agora, segundo explica o superintendente da Superintendência de Desenvolvimento das Regiões Metropolitanas de Santa Catarina (Sudesc), João Luiz Demantova, o Estado apresenta as diretrizes, mas os municípios passam a participar ativamente da construção do modelo.

Estão previstas audiências públicas — instrumento fundamental para garantir espaço à população no debate e na formulação das decisões.

Demantova, que esteve à frente do Promobis, afirma que o modelo inspiracional é o Projeto de Mobilidade Integrada Sustentável da Região da Foz do Rio Itajaí, baseado em termos de cooperação por meio de consórcios intermunicipais.

A lógica agora é outra: o governo lança a ideia com diretrizes e pilares; os municípios debatem amplamente em audiências públicas e nas câmaras de vereadores. O Plamus falhou justamente por ter sido imposto de cima para baixo.

O novo sistema, ao contrário, nasce de baixo para cima, por meio dos consórcios intermunicipais. Sabe-se bem que, na política, alinhamento é condição essencial para que questões complexas avancem.

Em cinco anos, com recursos do Banco Mundial, a Sudesc acredita que o sistema já estará em operação, com faixas exclusivas de ônibus na BR-101 e na Via Expressa, intermodalidade, integração tarifária e acessibilidade.

Não sou a personagem do genial Luis Fernando Verissimo, a Velhinha de Taubaté, mas acredito.
Vamos cobrar.


Publicado em 12 janeiro de 2026

Categorias:
Radar
mm
Radar da Cidade

A FloripAmanhã realiza um monitoramento de mídia para republicação de notícias relacionadas com o foco da Associação. O chamado "Radar da Cidade" veicula notícias selecionadas para promover o debate e o conhecimento sobre temas como planejamento urbano, meio ambiente, economia criativa, entre outros assuntos relevantes de Florianópolis. As notícias veiculadas nesta seção não necessariamente refletem a posição da FloripAmanhã e são de responsabilidade dos veículos e assessorias de imprensa citados como fonte.