Debate sobre planejamento urbano de Florianópolis inclui cidade de 15 minutos e resiliência climática
Da Coluna de Fabio Gadotti (fabiogadotti.net, 05/01/2026)
Dois anos depois da revisão do Plano Diretor, a discussão sobre o futuro do planejamento urbano de Florianópolis passa pela adoção de políticas que melhorem a caminhabilidade, incentivem a microbilidade, reduzam o protagonismo dos carros e transformem em realidade o conceito da “cidade de 15 minutos”. São alguns temas que vem aparecendo nas iniciativas deflagradas no ano passado com o objetivo de repensar a organização territorial da cidade e que devem ter as primeiras ações implantadas ao longo de 2026.
Em março, o escritório do dinamarquês Jan Gehl, referência internacional em urbanismo e autor do livro “Cidades para pessoas”, vai apresentar uma proposta para a requalificação de áreas do centro da capital catarinense. São ideias que poderão ser replicadas, com adaptações, para outras regiões. A equipe de Gehl, contratado pela Associação Empresarial de Florianópolis (Acif) e pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), divulgou um projeto preliminar em dezembro.
“O foco está na criação de espaços públicos mais seguros, acessíveis, ativos e democráticos, promovendo caminhabilidade, convivência e vitalidade urbana, em contraponto a modelos centrados no automóvel”, destacou a arquiteta Rute Nieto Ferreira, porta-voz do escritório de Copenhague. Ela falou também em “urbanismo tropicalizado”, uma resposta verde para dar mais resiliência às cidades diante das mudanças climáticas.
Em paralelo, a Câmara de Vereadores firmou uma parceria com o Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha (IAAC) para construção de um projeto urbanístico que contemple, entre outras coisas, melhoria da infraestrutura, fortalecimento das centralidades, qualificação da mobilidade urbana e aprimoramento dos espaços públicos. Durante passagem por Florianópolis, o arquiteto Willy Müller, argentino radicado na Espanha e cofundador do instituto, enfatizou que as cidades enfrentam desafios semelhantes no mundo inteiro, como crescentes demandas sociais por habitação, educação, saúde e mobilidade. Ele também disse que os núcleos urbanos estão tentando recuperar o espaço dominado pelo automóvel nos últimos 100 anos.
A gestão Topázio Neto também anunciou a revisão do plano municipal de mobilidade (Planmob), com prazo de conclusão em 16 meses. Na solenidade de assinatura da parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o secretário Moacir da Silva (Operações de Mobilidade) destacou a importância da micromobilidade e do transporte coletivo no estudo. O documento vai apontar políticas públicas para a mobilidade, um dos principais problemas de Florianópolis, especialmente na temporada de verão.
Novidade de 2025, o LUA (Laboratório de Urbanismo e Arquitetura) foi criado para contribuir com ideias para a gestão urbana da cidade. Entre as prioridades iniciais, está pensar em como qualificar os espaços públicos. “O laboratório é um coletivo de profissionais e técnicos motivados a construir pautas positivas para melhorar a cidade”, afirma a diretora executiva Tatiana Filomeno.
Publicado em 05 janeiro de 2026