Com apoio da FloripAmanhã, Junho Violeta promove debate sobre envelhecimento digno

Fotografia de palestra em auditório, com público sentado diante de um homem falando ao microfone em um palco iluminado.

Evento realizado no Centro de Eventos da UFSC reuniu especialistas, instituições, profissionais da rede de proteção e comunidade para discutir direitos, longevidade e combate ao idadismo.

A programação “Junho Violeta: Desconstruindo o Idadismo para um Envelhecimento Digno” foi realizada no dia 10 de junho de 2026, no Auditório Guarapuvu, no Centro de Eventos da UFSC, com a FloripAmanhã entre as instituições apoiadoras. A entidade foi representada no evento pelo Professor Salomão Mattos Sobrinho, conselheiro da FloripAmanhã. A iniciativa integrou as ações do Junho Violeta, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa.

O evento foi promovido pelo Conselho Municipal da Pessoa Idosa de Florianópolis, em parceria com o Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil) e a Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e da Assessoria da Pessoa Idosa. Ao longo do dia, a programação reuniu palestras, rodas de conversa, apresentações culturais, debates e ações de sensibilização voltadas à valorização da longevidade e à construção de uma sociedade mais inclusiva.

A velhice como parte legítima da vida

Dr. Alexandre Kalache

Um dos destaques da programação foi a participação do médico gerontólogo Dr. Alexandre Kalache, referência global em envelhecimento e um dos principais nomes ligados ao conceito de Envelhecimento Ativo. Em sua apresentação, Kalache provocou o público a repensar a forma como a sociedade trata a velhice e a própria palavra “velho”.

Ao se apresentar, afirmou com orgulho: “Eu sou um velho”, destacando que é careca, usa óculos, tem barba branca e rugas que revelam os sabores e dessabores vividos ao longo da vida — marcas das quais se orgulha. A fala reforçou uma das mensagens centrais do encontro: desconstruir a ideia de que envelhecer deve ser disfarçado por expressões como “melhor idade”.

Para Kalache, a melhor idade é aquela vivida plenamente, seja aos 30, 40, 80 ou 90 anos. A reflexão chamou atenção para a importância de reconhecer a velhice como parte legítima, diversa e valiosa da trajetória humana.

Também participou da programação a Profa. Dra. Bibiana Graeff, da USP, especialista na interseção entre Direito, Direitos Humanos e Gerontologia, que contribuiu com reflexões sobre a identificação e o enfrentamento do idadismo nas redes de atenção e proteção.

Pequeno Manual Anti-idadista inspira reflexões do evento

Mais do que não praticar o idadismo, o manual propõe uma postura ativa.

Durante o evento, o Pequeno Manual Anti-idadista também esteve presente nas apresentações e materiais exibidos ao público. A publicação foi desenvolvida e organizada pelo médico e gerontólogo Alexandre Kalache, uma das maiores referências mundiais em envelhecimento e políticas públicas voltadas à pessoa idosa, em parceria com outros especialistas ligados ao Coletivo Velhices Cidadãs.

Com contribuições de 43 especialistas, o manual é dividido em 14 capítulos e aborda temas como o reconhecimento do idadismo, sua origem, formas de desconstrução, direitos da pessoa idosa, idadismo nos serviços públicos, mercado de trabalho, violência contra a pessoa idosa, solidão, educação, comunicação e ativismo anti-idadista.

A obra reforça a importância de normalizar o envelhecimento autônomo, ativo e plural, combatendo estereótipos que ainda limitam a participação das pessoas idosas na sociedade. Mais do que não praticar o idadismo, o manual propõe uma postura ativa: ser anti-idadista, reconhecendo o envelhecimento como uma conquista e defendendo cidadania, respeito, diversidade e dignidade em todas as fases da vida.

O Pequeno Manual Anti-idadista pode ser baixado gratuitamente neste link.

A presença do manual no encontro dialogou diretamente com a fala de Kalache, que defendeu a necessidade de desconstruir expressões que tentam suavizar ou esconder a velhice. Ao afirmar “eu sou um velho”, o gerontólogo valorizou a palavra e chamou atenção para a importância de reconhecer a velhice como parte legítima da vida, marcada por experiências, histórias, direitos e contribuições sociais.

Programação aberta ao público e ações de sensibilização

Durante a manhã, a programação foi voltada a profissionais das redes municipal e estadual que atuam na promoção e garantia dos direitos das pessoas idosas e dos adolescentes. No período da tarde, as atividades foram abertas ao público em geral, com apresentação teatral, roda de conversa, diálogo com especialistas, sessão de autógrafos, café de encerramento e visitação à exposição.

Além das atividades principais, o evento contou com ações culturais e educativas, incluindo a participação da Velha Cocada, do Grupo Teatral “Estamos Aí” e a galeria imersiva “Olhares da Longevidade”, instalada no hall de entrada do Auditório Guarapuvu. O espaço reuniu fotografias, poesias, desenhos e pinturas produzidos por participantes de Instituições de Longa Permanência para Idosos, da Educação de Jovens e Adultos, do CEMUPI e de grupos do NETI.

Também fizeram parte da exposição um varal de poesias inspirado no Pequeno Manual Anti-Idadista, painéis fotográficos com mensagens de valorização da pessoa idosa e um mural interativo onde o público pôde compartilhar reflexões sobre o significado de envelhecer com dignidade. A campanha digital “Dê Nome ao Idadismo” também integrou a programação, reunindo imagens e depoimentos de moradores de Florianópolis para estimular o reconhecimento das diferentes formas de discriminação relacionadas à idade.

Apoio institucional à longevidade

A iniciativa contou com o apoio de instituições como Sesc Fecomércio Senac, FloripAmanhã, UFSC, Prefeitura de Florianópolis, Somos, Vonita Voz & Emoção, NETI, CEMUPI, Assessoria da Pessoa Idosa, Grupo Teatral “Estamos Aí”, Dione de Freitas e Velha Cocada. O evento teve ainda patrocínio da CIEE Santa Catarina e do Instituto Otovida.

Para a FloripAmanhã, apoiar iniciativas como esta reforça o compromisso da entidade com uma Florianópolis mais humana, inclusiva e preparada para os desafios da longevidade. A presença do Professor Salomão Mattos Sobrinho, conselheiro da entidade, reforçou esse compromisso institucional com pautas ligadas à inclusão, à cidadania e à valorização das pessoas idosas.

O envelhecimento da população exige políticas públicas, espaços urbanos, serviços, oportunidades e relações sociais que valorizem a participação das pessoas idosas e promovam dignidade em todas as fases da vida.

Como resume uma das mensagens do evento, “o idadismo é a única forma de preconceito que se volta contra nós mesmos no futuro”. Combater essa prática é reconhecer o valor das trajetórias, experiências e contribuições das pessoas mais velhas para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e acolhedora.


Publicado em 10 junho de 2026

Categorias:
Eventos, Institucional, Saúde
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