Florianópolis e o desafio de merecer o próprio paraíso
Florianópolis parece viver, mais uma vez, aquele instante raro em que decide olhar para o próprio horizonte, não como limite, mas como promessa. A cidade, feita de vento e sal, agora projeta no azul do mar uma ambição que não se mede apenas em números, mas em consciência: ampliar o número de praias com o selo Bandeira Azul e, com isso, transformar cuidado em identidade.
Há algo de simbólico nesse gesto. Como se cada faixa de areia fosse mais do que geografia, fosse linguagem. A praia do Moçambique, extensa e quase indomada; Daniela, com sua calma doméstica; Açores, onde o sul da ilha parece respirar mais devagar. Três paisagens distintas que agora compartilham um mesmo destino: tornar visível aquilo que já pulsa silencioso, a vocação para coexistir. No centro dessa narrativa, a Lagoa do Peri permanece como um espelho de permanência. Dez vezes reconhecida, ela não é apenas um cartão-postal premiado, mas uma espécie de memória líquida da cidade — um lembrete de que preservar é repetir, com rigor e afeto, um pacto que nunca deveria ter sido quebrado.
(Confira matéria completa em TVBV Online, 21/05/2026)
Publicado em 22 maio de 2026