Os endividados

Artigo de Joaquim Nóbrega Jr
Presidente do Conselho Consultivo da FloripAmanhã

No Brasil, o endividamento da população em 2026 tem tendência de crescimento, com o índice de famílias endividadas atingindo 79,5%, o maior nível da série histórica. Cerca de 81,2 milhões de brasileiros estão com restrições de crédito, o que representa quase metade (49,7%) da população adulta. O endividamento médio equivale a 49,8% da renda anual das famílias. Aproximadamente 13,2% delas declaram não ter condições de pagar suas dívidas em atraso, um recorde histórico. Em Florianópolis, embora tenha registrado, nos últimos dois anos, a maior queda do índice de endividamento entre as capitais brasileiras, o comprometimento da renda familiar ainda é de 43%, um dos mais altos do país.

O último plano do governo federal para ajudar famílias brasileiras endividadas foi o “Desenrola Brasil”, encerrado em maio de 2024. Está claro que ajudar os endividados não é a solução para o problema, que é complexo e multidisciplinar. Vivemos numa sociedade que poderíamos chamar de hedonista, caracterizada, por um lado, pelo impulso consumista, turbinado pelas mídias sociais, pela valorização da satisfação pessoal, do bem-estar imediato, do exibicionismo e, agora, pelo hábito de jogar nas plataformas de apostas esportivas. Do outro lado, há pouca disposição para sacrificar o presente para viver melhor no futuro. O sistema financeiro oferece cartões e facilidades para obter o máximo de lucros, deixando para os bons pagadores o ônus dos custos adicionais da inadimplência.

Assim como na área da saúde, o foco inicial da ação tem que ser a prevenção que, no caso em questão, envolve educação financeira. Em vez de separar um valor para investir e gastar o restante, muitos gastam tudo, e acaba não sobrando nada para investir. Não sabem que, com essa forma de pensar, não vão poupar nunca. Quanto mais cedo começarem a criar o hábito de poupar, melhor para todos.

Um dos caminhos para isso é incluir a educação financeira no Ensino Fundamental II, entre 11 e 14 anos de idade. Portanto, ela deve ser iniciada nos municípios. No caso de Florianópolis, a educação financeira deveria ser uma disciplina obrigatória nas escolas de tempo integral, regime que, infelizmente, ainda não foi adotado em todas as unidades da rede.


Publicado em 19 março de 2026

Categorias:
Artigos, Economia, Educação, Radar
mm
Radar da Cidade

A FloripAmanhã realiza um monitoramento de mídia para republicação de notícias relacionadas com o foco da Associação. O chamado "Radar da Cidade" veicula notícias selecionadas para promover o debate e o conhecimento sobre temas como planejamento urbano, meio ambiente, economia criativa, entre outros assuntos relevantes de Florianópolis. As notícias veiculadas nesta seção não necessariamente refletem a posição da FloripAmanhã e são de responsabilidade dos veículos e assessorias de imprensa citados como fonte.