Muro simboliza ausência do Estado

Por Carlos Damião (ND, 23/11/2011)

“Ajude-nos, publique também algo em nosso favor”, diz mensagem enviada a esta coluna por uma empresária que reside no Bom Abrigo, em defesa do muro construído pela comunidade, entre aquela praia e a das Palmeiras, com autorização da prefeitura. “Estávamos muito vulneráveis, o local calmo e tranquilo facilita a ação da bandidagem que age em plena luz do dia”, pondera a empresária. Referindo-se ao que chama de Muro da Paz, ela observa ainda: “Chamo nossa atitude de uma ‘legítima defesa’ em prol da preservação da paz no Bom Abrigo e da nossa sobrevivência. Não podíamos esperar que morresse alguém, tivemos que tomar uma atitude. Autoridades que moram no local, e muito conhecidas, igualmente assinaram e colaboraram com um valor, já que foram também vítimas dos drogados”.

Precedente

O problema do polêmico muro é que resolve particularmente um problema – a insegurança –, mas abre um precedente perigoso. Daqui a pouco a prefeitura vai autorizar muros em praças, ruas, becos, servidões, porque a questão da violência vai se impondo e o Estado não dá as respostas necessárias.

Direito coletivo

Construir muros e outros obstáculos, ainda mais em espaços públicos, é uma atitude extrema, que afronta o direito constitucional de ir e vir. E se há dificuldades com relação à segurança pública, elas não são exclusivas de um bairro ou de outro. Basta citar casos de lojas ou residências invadidas dezenas de vezes pelos bandidos em toda a Grande Florianópolis.


Publicado em 23 novembro de 2011

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