Revitalização de rua tradicional de Florianópolis vai começar em 2027 com R$ 40 milhões de outorga onerosa

Da Coluna de Fabio Gadotti (Upiara, 11/10/2026)

Discutida em Florianópolis há mais de duas décadas, a revitalização da rua Bocaiúva vai começar a virar realidade com a previsão de início das obras em janeiro de 2027. A transformação da via do centro da capital será viabilizada com R$ 40 milhões da outorga onerosa dos empreendimentos imobiliários Passeio Bocaiúva, da Casa Hurbana, e Casa da Baronesa, da Dimas Construções.

O projeto, atualizado recentemente pela arquiteta e urbanista Juliana Castro, da JA8, busca uma rua mais humana, acessível e segura. O objetivo é que a Bocaiúva seja “uma rua para as pessoas”.

Com base na constatação de que há pouco espaço para pedestres, com insegurança para a circulação das pessoas a pé, a ideia é aumentar a largura dos passeios, fazer intervenções para facilitar os cruzamentos e revisar o sistema de pisos táteis. Há, ainda, a previsão de remoção do “excesso de obstáculos”, como postes nas calçadas. Com isso, a ideia é valorizar o pedestre e estimular a caminhada.

Local de convivência e com mais qualidade de vida

Diretor de Desenvolvimento Urbano do Sinduscon Grande Florianópolis, Gustavo Bulcão Vianna destaca o foco do projeto na caminhabilidade e na qualificação dos espaços públicos, que contribuem para a melhoria da qualidade de vida de moradores e pessoas que frequentam o local – fazendo com que a Bocaiúva deixe de ser apenas local de passagem para se consolidar como ponto de convivência.

No quesito mobilidade, o projeto prevê a redução da velocidade dos automóveis, manutenção do transporte coletivo – com a permanência dos pontos de ônibus existentes – e melhoria da sinalização. Outra diretriz da transformação da Bocaiúva é a potencialização da “vida na rua“, com incentivo ao uso dos recuos para integração entre os espaços públicos e privados.

“A ideia é estimular os moradores a fazerem a pé trajetos cotidianos, como levar e buscar os filhos na escola, além de caminharem pelo bairro e utilizarem o comércio local”, fala Sergio Arruda, o Serginho do Emporium Bocaiúva, que faz parte do movimento criado há pouco mais de 20 anos para transformação do local.

Estímulo à caminhabilidade e valorização paisagística

A mudança pretende também garantir uma sensação de segurança. Moradores relatam que determinados trechos da Bocaiúva são escuros e pouco convidativos para caminhar, especialmente à noite. Em alguns pontos, a circulação de pedestres é dificultada pelas condições das calçadas e pela velocidade dos carros.

A revitalização também prevê valorização paisagística do trecho – com inserção pontual de árvores nativas e remoção de elementos desnecessários que possam causar poluição visual -, além da implantação de fiação subterrânea.

A previsão é de conclusão da obra em seis meses. As intervenções abrangerão cerca de um quilômetro da Bocaiúva, entre o Beiramar Shopping e o Colégio Catarinense. O poder público terá papel de fiscalização e acompanhamento dos trabalhos.

O modelo que vai viabilizar a revitalização da Bocaiúva, com uso do mecanismo da outorga previsto no Plano Diretor, deve servir de referência para outras áreas de Florianópolis.

O que vai mudar na Bocaiúva

Confira as principais intervenções previstas:

  • Calçadas mais largas e acessíveis: melhoria das condições de circulação, permitindo a passagem de pessoas com mobilidade reduzida, idosos e famílias com carrinhos de bebê.
  • Melhoria da iluminação pública: criação de um ambiente mais iluminado e acolhedor, especialmente à noite.
  • Fiação subterrânea: retirada da fiação aérea, contribuindo para a organização visual da rua e para a melhoria da infraestrutura.
  • Travessias elevadas: implantação de estruturas no nível das calçadas para reduzir a velocidade dos veículos e aumentar a segurança dos pedestres.
  • Valorização dos espaços urbanos: qualificação do ambiente da rua para incentivar a circulação de pessoas e fortalecer a relação entre moradores, comércio e espaço público.
  • A proposta mantém a circulação de veículos, mas busca reduzir a velocidade do trânsito e priorizar a segurança de quem caminha.

Publicado em 13 outubro de 2026

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