25 anos de inclusão digital: acompanhando as transformações da tecnologia
Artigo de Heitor Blum S. Thiago, executivo do CPDI
Em 2001, quando o CPDI foi criado, em Florianópolis, a inclusão digital tinha um significado diferente do que tem hoje. O acesso a computadores era restrito a uma pequena parcela da população, e aprender a utilizar ferramentas básicas de informática representava uma importante oportunidade de desenvolvimento.
Ao longo de 25 anos, a tecnologia mudou, e o CPDI acompanhou essa transformação.
A organização começou com iniciativas voltadas à alfabetização digital e, gradualmente, ampliou sua atuação para cidadania digital, programação, desenvolvimento de jogos e aplicativos, empreendedorismo, empregabilidade e inovação. O objetivo deixou de ser apenas ensinar a utilizar ferramentas tecnológicas e passou a incluir a capacidade de criar, solucionar problemas e aproveitar as oportunidades proporcionadas pelo ambiente digital.
Os números ajudam a dimensionar essa trajetória. Em 2019, mais de 20 mil crianças, jovens e adultos já haviam passado pelas formações do CPDI. Em 2022, o número ultrapassou 35 mil pessoas. Em 2023, foram 1.208 alunos atendidos e, em 2024, outros 1.319, todos de forma gratuita. Em 2026, ano em que a instituição completa 25 anos, são mais de 40 mil pessoas alcançadas pelos cursos e projetos.
Mais importante do que o crescimento desse número é a diversidade das formações e dos públicos atendidos.
Projetos como o Espaço Cidadão continuam levando conhecimento tecnológico para escolas, organizações sociais e comunidades. Ao mesmo tempo, iniciativas como Eureka! Eu Faço Jogos e Sites, Meu AplicAtivo e Inteligência Artificial aproximam crianças, jovens e adultos da programação e do desenvolvimento de soluções digitais.
Também ampliamos o olhar para diferentes momentos da vida. O Eu Sou um 60+ Conectado, por exemplo, trabalha a autonomia digital de pessoas com 60 anos ou mais, mostrando que inclusão digital não é uma questão restrita às novas gerações.
Outro exemplo desse movimento é o Programa ReciclaTec, iniciativa que amplia o conceito de inclusão digital ao relacioná-lo à sustentabilidade e ao uso responsável da tecnologia. Ao promover o reaproveitamento e a destinação adequada de equipamentos eletrônicos, o projeto contribui para reduzir o descarte inadequado e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades de acesso à tecnologia. É uma perspectiva que conecta inclusão social, educação ambiental e cidadania. É o maior programa do chamado Lixo Eletrônico no sul do Brasil.
Essa evolução aconteceu geograficamente. O CPDI nasceu em Santa Catarina e levou seus projetos, como o Escola Rural, para diferentes municípios do estado e, em determinados períodos, para cidades do Paraná e do Rio Grande do Sul. Mais recentemente, a expansão dos cursos online permitiu ampliar ainda mais esse alcance, chegando a alunos de diferentes regiões do Brasil.
A experiência adquirida durante a pandemia foi outro importante passo nesse processo. A organização passou a oferecer formações online e desenvolveu uma metodologia que mantém o professor ao vivo, acompanhando os alunos em tempo real. Dessa forma, a tecnologia utilizada para ensinar não elimina a relação entre educador e estudante, pelo contrário, permite que ela aconteça mesmo quando estão em cidades diferentes.
Esse modelo ajuda a explicar uma característica importante do trabalho do CPDI: a capacidade de adaptar a formação tecnológica à realidade de cada público.
Para uma criança, pode significar o primeiro contato com programação. Para um jovem, uma oportunidade de desenvolver competências que podem contribuir para sua trajetória profissional. Para um adulto, o desenvolvimento de novas habilidades. Para uma pessoa idosa, mais autonomia para utilizar ferramentas presentes no cotidiano.
O CPDI passou a ampliar sua participação na sociedade civil, entendendo que a transformação social depende da construção coletiva e do diálogo permanente entre organizações, poder público, empresas, instituições de ensino e comunidades. Essa atuação se manifesta na participação em fóruns de discussão de políticas públicas, no Movimento ODS SC, em conselhos estaduais e municipais e em diferentes espaços de articulação e construção de soluções para a sociedade.
Essa presença aproxima o CPDI de importantes ecossistemas de inovação, desenvolvimento e planejamento de Florianópolis e de Santa Catarina, incluindo iniciativas como o Sapiens Parque e o FloripAmanhã. Participar desses espaços significa não apenas apresentar o trabalho da instituição, mas também ouvir diferentes setores da sociedade, compreender novos desafios e contribuir para debates que envolvem o futuro das cidades, da educação, da tecnologia, da inovação e do desenvolvimento sustentável.
Essa atuação em rede reforça uma convicção que se consolidou ao longo da nossa história: tecnologia, sozinha, não transforma a realidade. Ela se torna instrumento de transformação quando está conectada às pessoas, às necessidades das comunidades e às políticas e iniciativas capazes de ampliar oportunidades.
Hoje, não basta saber utilizar um computador ou um celular. É preciso compreender o ambiente digital, identificar oportunidades, utilizar ferramentas de forma consciente e segura e, sempre que possível, desenvolver a capacidade de criar soluções.
Esse desafio ganha ainda mais relevância diante do avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias. Se há 25 anos o CPDI trabalhava para aproximar as pessoas dos computadores, hoje o desafio é prepará-las para participar de uma sociedade cada vez mais conectada e em constante transformação.
É esse movimento que queremos continuar fazendo nos próximos anos: acompanhar a evolução da tecnologia sem perder de vista aquilo que orienta o trabalho do CPDI desde sua criação: utilizar o conhecimento para ampliar oportunidades e fortalecer a autonomia das pessoas.
Depois de 25 anos, seguimos construindo pontes digitais inclusivas. Só que, hoje, elas vão muito além de conectar pessoas à tecnologia. Conectam conhecimento a oportunidades, formação a novas possibilidades profissionais, inovação às necessidades reais das comunidades e organizações da sociedade civil a uma construção coletiva de futuro.
E seguimos construindo aquele que será o próximo capítulo da nossa história.
(Assessoria de Imprensa CPDI)
Publicado em 28 setembro de 2026