Tradição e resistência de pescadores artesanais da Resex do Pirajubaé são tema de documentário

Estreia, no próximo dia 18 de setembro, o documentário “Memórias de Pescador: histórias de tradição e resistência na Costeira do Pirajubaé”. O evento acontecerá no Museu de Florianópolis, às 18h, com entrada franca.

Desenvolvido por uma equipe de quatro mulheres, sendo três jornalistas e uma articuladora com a comunidade, filha de pescador, o projeto foi viabilizado pela Lei nº 15.503, de 29 de junho de 2011.

Ao longo de 46 minutos, com classificação livre, a narrativa coloca no centro os pescadores artesanais que atuam na Reserva Extrativista da Costeira do Pirajubaé (RESEX), a primeira reserva extrativista marinha do Brasil, criada em 1992. A partir de relatos de vida e experiência, o filme mostra os impactos da expansão urbana, mas também celebra os conhecimentos da comunidade tradicional de pescadores.

Protagonistas e guardiões dos saberes, fazeres, práticas de pesca, culinária e tradições locais que compõem a identidade cultural da comunidade tradicional e da própria ilha de Florianópolis, os pescadores falam de herança familiar e registram a resistência para manter seus modos de vida diante das transformações em seu território e das ameaças ainda presentes.

“Eu nasci ali e já começo a pescar desde a idade de uns oito anos, junto com o falecido meu pai, que a gente fazia pegada pra camarão. E depois eu comecei a tirar berbigão, a descascar, a vender né? Esse era o nosso meio de sobrevivência. E nós sobrevivemos até dois mil e doze. (…) Antigamente os pais da gente diziam que isso aí era um patrimônio, um patrimônio de pai para filho. Hoje não dá mais para contar”, conta Frutuoso Genesio Lopes, pescador artesanal, durante o documentário.

Para entender os processos que atingiram a população tradicional de pescadores, também foram entrevistados o geólogo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Fernando Scheibe; o filho de pescador e ex-conselheiro da Resex do Pirajubaé, Celso Botelho; o engenheiro agrônomo e ativista, Marcos José de Abreu; a analista ambiental do Instituto Chico Mendes – ICMBio, Dayani Guero; e a oceanógrafa e professora da UFSC, Alessandra Fonseca.

De acordo com a Morgani Guzzo, que assina a produção e o roteiro do documentário junto com Inara Fonseca, esse é um sonho realizado. O projeto, que vem sendo tocado pela dupla de jornalistas desde 2021, já produziu também pesquisa científica e um podcast.

“Apesar de nosso trabalho, em 2021, envolver a produção de artigo científico e de comunicação por meio de blog e rede social, com textos e fotos, algumas das entrevistas já tinham sido gravadas em vídeo. Isso foi fundamental para desenvolvermos o documentário agora em 2026, já que tínhamos em mãos entrevistas com pescadores tradicionais, reconhecidos por sua história e contribuição para a comunidade, que faleceram daquela época para cá. Para nós, é uma enorme responsabilidade e, também, uma realização possibilitar que as histórias desses pescadores sejam conhecidas por um público mais amplo”, contou.

Segundo relata, o projeto foi tão mobilizador em 2021 que o desejo de desenvolver novas abordagens e apresentar de outras formas essa história se manteve latente.

Segundo Inara Fonseca, a ideia inicial do projeto surgiu ainda em plena pandemia, a partir da necessidade de dar visibilidade à história dos pescadores tradicionais da Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé, que há décadas enfrentam um processo de apagamento de seus modos de vida e de sucessivas injustiças.

“Assim que cheguei em Florianópolis, entrei em contato com a realidade dos pescadores da Resex do Pirajubaé. Em 2020, convidei a Morgani para pensarmos um projeto de pesquisa que pudesse colaborar para visibilizar os saberes e fazeres da comunidade. Naquela época, eu já entendia que precisávamos, de alguma forma, documentar os modos de vida de uma população que há anos tem sofrido com o descaso das instituições. Os pescadores são testemunhas das transformações provocadas pelo avanço da urbanização nessa região a partir dos anos 1970. E o que eu queria desde o início, e que agora se materializa no documentário, era ajudar a visibilizar que a pesca artesanal permanece e que os pescadores seguem resistindo diante dos impactos da expansão urbana sobre a paisagem cultural e natural de Florianópolis”, relatou.

O Projeto

“Memórias de pescador: histórias de tradição e resistência aos impactos urbanos na cultura da Costeira do Pirajubaé” é um projeto de duração de seis meses, que previa a produção, realização e distribuição de um documentário voltado à valorização e salvaguarda do patrimônio imaterial da comunidade tradicional pesqueira da Costeira do Pirajubaé (Florianópolis/SC), a partir das vozes daqueles que são guardiões da memória coletiva e dos saberes tradicionais da pesca artesanal.

Serviço:

Lançamento do documentário

Data: 18 de setembro de 2026

Hora: 18h

Local: Museu de Florianópolis

Outras exibições:

Cine-debate – Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH/UFSC)

Data: 16 de setembro de 2026

Hora: 19h

Local: Auditório

Cine Clube Pátria Grande

Data: 19 de setembro de 2026

Hora: 18h

Local: Pista de Skate da Costeira do Pirajabaé

(Informe Floripa, 17/09/2026)


Publicado em 17 setembro de 2026

Categorias:
Cultura, Meio Ambiente, Radar
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