O fator mais subestimado da longevidade
Artigo de Fernanda Bornhausen
Coordenadora do Programa Floripa +100
Nunca soubemos tanto sobre alimentação, exercício, sono, genética e tecnologias aplicadas à saúde. Paradoxalmente, nunca estivemos tão conectados digitalmente e distantes uns dos outros.
A ciência da longevidade chama atenção para um fator subestimado: a conexão humana.
Estudos sobre as Blue Zones revelam um padrão que vai além da alimentação e da atividade física: ninguém envelhece sozinho. Vínculos, propósito, pertencimento e participação na comunidade fazem parte do modo de viver dessas populações.
A Medicina do Estilo de Vida reforça essa visão. Em 2025, o American College of Lifestyle Medicine ampliou seu pilar de “Relacionamentos Saudáveis” para Conectividade, reconhecendo que relações significativas, propósito e pertencimento influenciam nosso HealthSpan — os anos vividos com saúde, autonomia e vitalidade.
Essa perspectiva inspira o Floripa +100, programa da FloripAmanhã que coordeno e que parte de uma pergunta: como podemos ajudar a preparar Florianópolis para uma população que viverá cada vez mais?
Não basta acrescentar anos à vida. Precisamos acrescentar mais vida aos anos.
Isso significa apoiar hábitos saudáveis e fortalecer comunidades, encontros, movimento, convivência, propósito e participação social.
Florianópolis reúne condições para se tornar um território de HealthSpan: natureza, espaços ao ar livre, qualidade de vida, inovação e cultura comunitária. Podemos construir aqui nossa versão contemporânea das Blue Zones.
Por isso, ao pensar em longevidade, além de perguntar “o que devo comer?” ou “quanto preciso me exercitar?”, faça outra pergunta:
Quem caminha comigo?
A resposta pode ser um dos indicativos mais importantes para chegarmos, juntos, a uma Floripa +100.
(ND, 14/09/2026)
Publicado em 14 setembro de 2026