O que queremos para as nossas cidades?
Artigo de Fernando Luz
Empresário e vice-presidente da Aproa (Associação Praça Olívio Amorim)
Pensar o futuro das cidades é, antes de tudo, pensar nas pessoas. Em um cenário marcado por desafios urbanos, a participação da população nas discussões sobre planejamento dos espaços é um dos pilares para cidades mais humanas e inclusivas. Afinal, quem melhor conhece um bairro do que as pessoas que circulam, convivem e constroem suas relações naquele território?
Nos últimos anos, urbanistas e arquitetos do mundo inteiro vêm defendendo modelos urbanos voltados para o bem-estar. O dinamarquês Jan Gehl, por exemplo, é reconhecido internacionalmente por projetos que priorizam a caminhabilidade, os espaços de convivência e a qualificação das áreas públicas.
Ele parte de uma ideia simples, mas transformadora: cidades devem ser feitas para pessoas, e não apenas para carros. Contratado pela CDL e ACIF, o escritório de Gehl apresentou, em março, propostas para repensar a região central de Florianópolis nessa perspectiva.
Estudos sobre caminhabilidade demonstram que ambientes urbanos mais amigáveis ao pedestre favorecem a saúde física e mental, fortalecem o comércio local e aumentam a sensação de pertencimento. Cidades que investem em espaços públicos de qualidade também tendem a apresentar melhores índices de convivência social e segurança.
Dentro dessa mesma perspectiva surge o conceito da “cidade de 15 minutos”, criado pelo franco-colombiano Carlos Moreno, que esteve recentemente em Florianópolis. A ideia é que as pessoas possam acessar serviços essenciais – como trabalho, escola, saúde, lazer e comércio – em trajetos curtos, preferencialmente caminhando ou utilizando bicicleta.
Nesse contexto, as praças e espaços públicos assumem papel fundamental. São locais de encontro, convivência, lazer e identidade comunitária. Quando bem cuidados e valorizados, tornam-se pontos de integração social e fortalecimento dos vínculos entre moradores. E é justamente nesse cenário que iniciativas comunitárias ganham relevância.
A Aproa (Associação Praça Olívio Amorim) completa dois anos de atuação reforçando essa mobilização cidadã em defesa do espaço público e da qualidade de vida. Mais do que reivindicar melhorias estruturais, movimentos como o realizado pela Aproa ajudam a fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade. A participação popular amplia o debate urbano e contribui para soluções mais eficientes, inclusivas e sustentáveis.
(ND, 111/09/2026(
Publicado em 11 setembro de 2026