FAM resgata memória dos antigos cinemas de rua e sua relação com o Centro de Florianópolis
Durante décadas, ir ao cinema em Florianópolis significava também ocupar as ruas do Centro. Salas como São José, Ritz, Coral e Cecomtur fizeram parte da rotina da cidade, concentradas principalmente na região Leste e nos arredores da Catedral.
Hoje transformados em lojas, escolas e igrejas, esses locais terão sua história revisitada durante a programação de 30 anos do FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul). A relação entre cinema e cidade ganha destaque justamente no ano em que o festival retorna ao Centro e ocupa o TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), endereço ligado ao início dessa trajetória. Em 1901, o local abrigou o primeiro cinema de rua da Capital.
Na próxima segunda-feira (7), o FAM propõe uma atividade gratuita para recuperar essa memória. A partir das 14h, o público poderá conhecer os locais onde funcionaram antigos cinemas, em um percurso que começa e termina no TAC e passa por endereços como os dos cines São José, Ritz, Coral e Cecomtur. A proposta também é discutir o fim das salas na região e o futuro da cultura e da vida urbana no Centro.
Integração
A atividade será conduzida por Guga Andrade Neto, arquiteto, doutor em Urbanismo, professor da Udesc e coordenador do coletivo urbano Caminhada Jane Jacobs Floripa. Para ele, a presença dos cinemas interferia na própria maneira como as pessoas se relacionavam com a região central.
“Havia uma fruição dos cinemas de rua, seu fechamento levou ao afastamento de uma relação mais cultural e lúdica com as ruas. As pessoas iam ao cinema e depois tomavam sorvete, iam nos bares e restaurantes do Centro, havia muita animação e vitalidade em torno disso”, explica.
Quatro décadas da Cinemateca Catarinense
Para o arquiteto, é muito significativo o FAM voltar ao Centro, no TAC, e num momento em que se discute a retomada dos cinemas de rua. Ao final do percurso, os participantes são convidados para a sessão do documentário “Caminhos do Desejo”, de Andrey Santiago, nas Conversas FAM de Cinema, às 15h, sobre a história da produção e desaparecimento de “O Preço da Ilusão”, primeiro longa-metragem de ficção de Santa Catarina, numa sessão comemorativa aos 40 anos da Cinemateca Catarinense.
Consulte classificação indicativa e medidas de acessibilidade para as diversas atividades.
O FAM começa amanhã e segue até 9 de setembro no TAC. O evento reúne 46 filmes de nove países, além de debates, mostras competitivas e atividades voltadas ao setor audiovisual.
A programação tem entrada gratuita. O projeto cultural é viabilizado por meio da Lei Rouanet e Lei nº 15.746, de 11 de janeiro de 2012 e tem apoio do Programa Ibermedia e Projeto Paradiso.
(ND, 02/09/2026)
Publicado em 02 setembro de 2026