Moradores questionam projeto de revitalização do Parque da Luz
O projeto de revitalização do Parque da Luz, no Centro de Florianópolis, fez moradores do entorno se unirem em defesa do que consideram a principal característica do local: a preservação de uma área verde em meio à cidade. O grupo SOS Parque da Luz questiona o projeto da Dimas Construções, especialmente o uso de concreto, a iluminação e a escala das intervenções.
Para o professor universitário Marcelo Chain, o principal ponto da discussão é a manutenção da característica natural do espaço.
“Eles apresentaram um projeto de cima para baixo, que inclui concreto. Nós estamos muito preocupados porque isso vai contra a natureza bruta do parque. O que nós queremos é a essência, é o contato com a terra, o contato com os pássaros, é o contato com o parque. Aqui é o pulmão da cidade”, afirma.
O médico aposentado e ex-vereador Ricardo Baratieri lembra que a área representa uma conquista coletiva.
“A cidade conquistou um ambiente de lazer, de agregação, de natureza. A comunidade plantou, a comunidade desenvolveu. O parque é uma conquista da cidade. Isso é civilizatório. Concreto, no lugar do parque, é regressão”, declara.
A arquiteta Claudine Alles ressalta a necessidade de tratar o parque como um ambiente vivo.
“Para ter o cuidado com essa área verde, que é uma área viva, não é paisagem isso aqui. Tem pássaro, tem árvore que respira. Quando você bota esse tipo de equipamento, que tem em qualquer lugar, você tira a identidade do parque. E a identidade é a nossa história de Florianópolis”, pontua.
Impactos preocupam
Os impactos no ecossistema e na vizinhança também preocupam. A psicóloga Janeide Capoani relata mudanças que, segundo ela, foram percebidas após a instalação dos novos postes de iluminação.
“A gente não ouvia o canto de passarinho à noite. Agora eles não conseguem mais dormir devido à iluminação muito forte. Isso atrapalha o sono deles”, conta.
O engenheiro Paulo Nielsen aborda os limites da exploração comercial.
“A gente não tem nada contra a iniciativa privada. Mas queremos fazer as coisas do jeito certo”, pontua.
Mobilização leva MPSC a instaurar inquérito
A mobilização levou a 28ª Promotoria de Justiça da Capital a instaurar um Inquérito Civil no MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).
Os moradores comparam o plano atual às diretrizes estabelecidas entre 2017 e 2018, a partir de um estudo realizado pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), pela AAPLuz (Associação dos Amigos do Parque da Luz) e por representantes da sociedade civil.
O documento previa intervenções sutis, proteção dos olhos d’água e menor impacto na avifauna, enquanto o projeto recente prevê estruturas como arquibancadas de concreto e áreas pavimentadas.
Evento amplia discussão
Como parte da mobilização, os moradores promovem neste sábado, a partir das 9h30, no campinho do parque, o encontro “O Parque da Luz é de Todos”, com conversas sobre a história, o patrimônio, as florestas urbanas e o futuro do espaço. A participação é gratuita.
Dimas detalha a proposta e defende o projeto
Em nota e em esclarecimentos oficiais, a Dimas Construções afirma que o masterplan foi desenvolvido após reuniões com a comunidade e integrantes da AAPLuz. A empresa destaca que a revitalização é uma contrapartida ambiental decorrente do Estudo de Impacto de Vizinhança de um empreendimento na região central, permitindo benfeitorias urbanas sem custos para os cofres públicos.
Elaborado pelo escritório JA8 Arquitetura Viva, o projeto prevê novos acessos pela rua Felipe Schmidt, rampas de acessibilidade, calçadas niveladas, bicicletários e mobiliário urbano com bancos, mesas de piquenique, bebedouros e espreguiçadeiras.
A estrutura contempla playground inclusivo, piso esportivo no campo de futebol, traves, mesas de pingue-pongue e futmesa em concreto. A construtora reforça que o masterplan foi entregue à Prefeitura de Florianópolis, a quem cabe decidir sobre a execução, alterações ou novas audiências.
(ND, 29/08/2026)

Publicado em 31 agosto de 2026