Florianópolis é reconhecida pelas Nações Unidas como Cidade Lixo Zero

Florianópolis recebeu na segunda-feira (30) o reconhecimento como uma das 20 cidades Lixo Zero do mundo. A capital catarinense é a única representante brasileira com esse status conferido pela ONU (Organização das Nações Unidas). No continente americano, apenas Zapopan (México) e São Francisco (EUA) gozam do mesmo prestígio.

A iniciativa, vinculada à ONU-Habitat, destaca cidades comprometidas com a redução da geração de resíduos, o reaproveitamento de materiais e o fortalecimento da economia circular. A premiação foi celebrada oficialmente na Embaixada da Turquia em Brasília, durante evento que também marcou o Dia Internacional Lixo Zero, instituído pela ONU.

O reconhecimento evidencia o avanço do município na implementação de políticas públicas voltadas à gestão sustentável de resíduos sólidos, com foco na redução do lixo gerado e na ampliação da valorização dos materiais. O resultado é reflexo de uma série de iniciativas adotadas ao longo das últimas décadas.

“Quando decidimos adotar o programa Lixo Zero, sabíamos da complexidade e da dimensão desse desafio. Hoje conseguimos visualizar, de forma concreta, os avanços construídos ao longo dos últimos anos, que são resultado de um trabalho contínuo desenvolvido há décadas na Capital”, afirmou o prefeito Topázio Neto. “Nossa principal meta agora é ampliar ainda mais esses resultados, fortalecer a participação da população e garantir que Florianópolis siga avançando como referência em sustentabilidade”, completou.

“Florianópolis vem construindo uma política pública consistente, que facilita o engajamento da população e fortalece toda a cadeia da reciclagem. Isso posiciona a Capital como uma referência nacional e, agora, também internacional na gestão de resíduos”, disse o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Alexandre Waltrick.

Início foi há 40 anos, com o programa Beija-Flor

O primeiro passo dessa trajetória foi dado em 1986, com o Programa Beija-Flor, que levou a coleta seletiva e a triagem de resíduos a bairros populares e escolas. Em 1990, o programa já beneficiava 25 mil pessoas em dez bairros, com sistemas descentralizados e centralizados de coleta e destinação final.

Em 1991, a coleta seletiva foi ampliada para toda a cidade, com a implantação de PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) em praças, supermercados, ruas e escolas públicas, além da instalação de lixeiras específicas em praias.

A reciclagem também avançou de forma significativa, com aumento na recuperação de vidro e na separação de materiais mistos, contribuindo para reduzir a dependência de aterros. Atualmente, a cidade conta com 322 PEVs. Além do impacto ambiental, a prática também gera renda. Cerca de 200 famílias vivem da triagem de materiais recicláveis em Florianópolis, que apresenta a maior taxa de reciclagem entre as capitais brasileiras.

Nos últimos três anos, a capital catarinense mais que quadruplicou a compostagem de resíduos alimentares, passando de 1.175 toneladas em 2020 para 6.000 toneladas em 2025, além de dobrar a coleta de resíduos orgânicos verdes.

Escola Lixo Zero

A cidade também investe de forma contínua em educação ambiental e mobilização comunitária. O projeto Escola Lixo Zero elaborou os PGRS (Planos de Gerenciamento de Resíduos) das 124 unidades escolares municipais e já implantou sistemas de compostagem em 32 unidades de ensino, além de capacitar professores e equipes escolares para a gestão adequada dos resíduos.

Fora das escolas, iniciativas como o Museu do Lixo e o projeto Minhoca na Cabeça ampliam o alcance da conscientização. Desde 2003, o Museu do Lixo reúne mais de 40 mil itens, demonstrando, na prática, o potencial de reaproveitamento dos materiais. Já o projeto Minhoca na Cabeça distribuiu mais de 2.800 kits de compostagem doméstica, com capacitação obrigatória, desviando cerca de 32 kg de resíduos orgânicos por residência a cada mês, o equivalente a aproximadamente 1.100 toneladas por ano e uma economia estimada em R$ 950 mil.

A LISTA

Acra (Gana)
Bolonha (Itália)
Chefchaouen (Marrocos)
Dar es Salaam (Tanzânia)
Dehiwala (Sri Lanka)
Florianópolis (Brasil)
Gaziantep (Turquia)
George Town (Malásia)
Hangzhou (China)
Iloilo (Filipinas)
Kisumu (Quênia)
Kuala Lumpur (Malásia)
Lilongwe (Maláui)
São Fernando (Filipinas)
São Francisco (EUA)
Sanya (China)
Suzhou (China)
Varkala (Índia)
Yokohama (Japão)
Zapopan (México)

(ND, 01/04/2026)


Publicado em 01 abril de 2026

Categorias:
Meio Ambiente, Radar, Saneamento
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