Estudo internacional propõe diretrizes para um Centro mais caminhável, verde e voltado às pessoas
Projeto apresentado em Florianópolis reúne mais de 70 diretrizes urbanas, cinco eixos estruturantes e propostas para qualificar os espaços públicos da área central. (Foto: PMF)
Transformar o Centro de Florianópolis em um espaço vibrante, onde caminhar e conviver seja a regra, e não a exceção, é o coração do estudo Floripa Centro: Repensando seus espaços públicos para pessoas. Apresentado nesta quarta-feira (18), no Teatro Álvaro de Carvalho, o projeto desenvolvido pelo escritório dinamarquês Gehl Architects propõe mais de 70 diretrizes para reverter a prioridade dos veículos e devolver as ruas à escala humana, com mais segurança e acessibilidade no coração da capital.
Encomendado e financiado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Florianópolis (CDL Florianópolis) e pela Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF), com articulação técnica local do Laboratório de Urbanismo e Arquitetura (LUA), o estudo foi entregue ao município como contribuição ao futuro da cidade e à qualificação dos espaços públicos da área central.
A FloripAmanhã acompanhou a apresentação com a presença do vice-presidente Neri dos Santos, além de diretores, associados e conselheiros. A Associação também integrou o processo de construção da proposta por meio do associado Ivo Sostizzo, um dos atores ouvidos durante o desenvolvimento do estudo.
O estudo integra o programa Centro para Todos: Requalificação do centro histórico de Florianópolis e propõe uma nova leitura para a área central, com foco na experiência cotidiana de quem vive, trabalha, circula e utiliza o Centro. Mais do que um conjunto de intervenções pontuais, o material apresenta diretrizes para orientar a transformação dos espaços públicos a partir de uma lógica de convivência, mobilidade sustentável, qualificação urbana e adaptação climática.
Cidade para pessoas no centro das decisões
Ancorado no conceito de cidade para pessoas, difundido pelo urbanista Jan Gehl, o projeto propõe que o planejamento urbano considere, antes de tudo, a escala humana. Isso significa pensar o Centro não apenas como espaço de passagem, mas como lugar de encontro, permanência, diversidade de usos e vida urbana mais ativa. A proposta parte da avaliação de que a infraestrutura viária e a fragmentação dos espaços públicos ainda limitam parte do potencial do Centro histórico de Florianópolis.
Entre as propostas de maior impacto, o estudo destaca a criação de uma nova praça pública verde adjacente ao Mercado Público e a transformação da Esteves Júnior em uma ‘rua escolar’, com infraestrutura desenhada para a segurança de crianças e pedestres. Estruturado em cinco eixos — que passam pela resiliência climática e mobilidade sustentável — o plano não é apenas um conjunto de obras isoladas, mas uma estratégia de longo prazo para conectar melhor o Centro Histórico à Beira-Mar Norte, tornando-o um bairro completo para viver, trabalhar e visitar.
Cinco eixos orientam a proposta para o Centro
A estrutura do projeto está organizada em cinco eixos fundamentais: mobilidade sustentável, com prioridade aos modos ativos e ao transporte coletivo; espaços públicos e resiliência climática; cidade pensada para crianças; bairros completos, com maior proximidade entre moradia, trabalho e serviços; e turismo sazonal, com estratégias para equilibrar dinamismo econômico e qualidade de vida ao longo do ano.
Outro ponto relevante é o processo de construção do estudo. Segundo a página oficial do projeto, houve um ciclo de oficinas com participação de técnicos da Prefeitura e representantes de diferentes setores organizados da sociedade. Já a Gehl informa que o trabalho envolveu perto de 100 atores locais, em uma metodologia que combinou análise de vida pública, leitura dos espaços urbanos e escuta de diferentes públicos.
A discussão dialoga com temas históricos acompanhados pela FloripAmanhã, como mobilidade, qualificação dos espaços públicos, sustentabilidade urbana e visão de longo prazo para Florianópolis. Ao colocar a experiência das pessoas no centro do desenho urbano, o estudo reforça um debate relevante para o futuro da Capital: como construir uma área central mais acessível, conectada, viva e preparada para os desafios contemporâneos.
Mais informações sobre o projeto estão disponíveis na página oficial da Rede de Planejamento da Prefeitura de Florianópolis.
Publicado em 19 março de 2026