Insegurança afasta famílias e esvazia praça Santos Dumont, na Trindade
Quem trabalha, mora ou transita no entorno da praça Santos Dumont, na Trindade, em Florianópolis, tem um sentimento predominante: insegurança. Situada numa região movimentada, com muitos comércios e próxima à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a praça é diariamente ocupada por pessoas em situação de rua e usuários de drogas. O parquinho, que deveria ser das crianças, vive vazio, porque ninguém quer deixar filho pequeno brincando ali.
Embora limpa na maior parte do tempo, a praça não cumpre sua função social, conforme a percepção de comerciantes, empresários e trabalhadores da região.
O comerciante Acilon Fontoura, 58 anos, trabalha na praça desde 2018, e diz que a situação se agravou depois da pandemia. “Estamos no grupo dos comerciantes e tem uma reclamação atrás da outra. Essa praça aqui tá um lixo, com o perdão da palavra. As pessoas não conseguem nem comer um lanche em paz”, relata. Fontoura reclama da constante de furtos, da presença constante de pessoas em situação de rua e de abordagens frequentes aos poucos frequentadores da praça, como fatores que afastaram famílias e crianças. Afirma ainda que, apesar da presença policial, o problema persiste. “Eles passam, mas podiam parar, conversar, pedir pra circular”, avalia.
A empresária Gisele Nascimento, 47 anos, tem um negócio há cerca de um mês na região e diz que o clima varia. “Dependendo do horário fica um pouco pior. Quando tem feira, vemos mais cedo e não é legal”, afirma.
“Eu não consigo atravessar a praça. Dou a volta inteira”, lamenta. Gisele também menciona o desconforto causado pela circulação de pessoas em situação de rua no centro comercial em que trabalha. “Eles entram pra pegar água, usar banheiro e dependendo da condição, gera desconforto pra quem tá trabalhando e circulando ali.”
Uma trabalhadora da região, que pediu para não ser identificada, relata medo constante, principalmente à noite. Moradora de São José, deixa a moto próximo à praça e já teve problemas recorrentes. “Já mexeram duas vezes. Uma vez tinha um comendo em cima da moto. Quando penso em sair, fico um estresse”, conta. Em outra ocasião, teve uma peça furtada. “É prejuízo, estresse e isso causa medo e preocupação.” O receio dela vai além dos danos materiais. “Eles estão sempre com droga, álcool, fora da consciência. A gente nunca sabe se vai ser atacada, assaltada. É medo constante”, diz. Ela revela que já cogitou deixar o emprego por não se sentir segura na região.
Demandas e soluções
Entre os pedidos às autoridades, estão reforço no policiamento, abordagens mais frequentes e medidas estruturais. Em resposta às reclamações, a vice-prefeita e secretária municipal de Segurança e Ordem Pública, Maryanne Mattos, afirma que o município iniciou um conjunto de ações para ampliar o controle e a presença do Poder Público no local. Ela esteve com empresários da região na quarta-feira (4) pela manhã e alinhou estratégias.
Um dos encaminhamentos foi a inclusão dos comerciantes no grupo Guardião, um canal direto de WhatsApp com a Guarda Municipal. “Vão participar, colocando as ocorrências ali, com foto, localização e informação em tempo real”, explicou. Outra medida será a instalação de seis câmeras de monitoramento. “Os comerciantes se comprometeram a doar para que possamos integrar ao sistema de inteligência”, afirmou Maryanne.
Além disso, haverá reforço de presença no local. “Vamos colocar dois voluntários com as rondas, para acionar a guarda, a assistência ou a prefeitura quando necessário.” A secretária ressaltou que as abordagens na região são frequentes, inclusive de madrugada. Segundo ela, o reforço das ações no Centro e nas praias faz parte da estratégia, já que parte dessa população migra para bairros como a Trindade. Para Maryanne, a parceria com a comunidade será decisiva.
(ND, 10/02/2026)
Publicado em 10 fevereiro de 2026