Florianópolis precisa pensar grande para sair do caos na mobilidade
Da Coluna de Ânderson Silva (NSC, 11/10/2025)
Florianópolis chegou ao limite do improviso quando o assunto é mobilidade urbana. O trânsito travado, os atrasos constantes e a falta de alternativas de deslocamento são sintomas de um problema que não se resolverá com medidas tímidas. A Capital de Santa Catarina precisa de projetos ousados, de alto impacto, e inevitavelmente caros, se quiser reverter o cenário atual.
Estar em uma ilha impõe desafios geográficos únicos, que restringem as opções de expansão e exigem soluções inovadoras. Pontes, túneis, corredores exclusivos e sistemas integrados de transporte são investimentos que assustam pelo custo, mas representam o preço de se viver em uma cidade com limitações físicas severas. Pensar pequeno, nesse contexto, é perpetuar o colapso.
É hora de admitir que Florianópolis precisa de ideias grandes, talvez até “megalomaníacas”, mas proporcionais à sua necessidade. Projetos estruturantes, de longo prazo, que mudem de fato a forma como as pessoas se deslocam. Sem isso, a cidade continuará refém de um modelo ultrapassado, que já não comporta seu crescimento.
Mas enquanto o futuro não sai do papel, é urgente agir no presente. Medidas pontuais, como planos rápidos de resposta a grandes acidentes, priorização real do transporte coletivo e incentivo a modos alternativos de locomoção, podem aliviar parte do sofrimento diário.
Pensar diferente também nas pequenas coisas é essencial para manter a cidade em movimento até que os grandes projetos se tornem realidade. O contexto pede urgência, e poderia começar com a ação da secretaria de mobilidade criada em janeiro, até então sem ações aparentes.
Publicado em 13 outubro de 2025