Outubro Rosa: quando o corpo fala em tons de alerta
Artigo de Luiz Alberto Silveira
Médico, oncologista clínico
Outubro chegou tingido de rosa — um chamado, insistente, para olharmos para o corpo e ouvirmos seu mistério. É tempo de sussurrar à mama que ela tem voz, que um toque atento pode ser ponte entre o silêncio e a cura.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, para cada ano do triênio 2023-2025, cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama surgirão. Nas regiões Sul e Sudeste, as taxas são mais altas. Em Santa Catarina, esse retrato ganha contornos ainda mais intensos: o estado aparece entre os que têm maior incidência proporcional da doença no país, e manifesta o desafio de garantir que cada mulher tenha acesso a diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento com equidade.
Mas o que significa “diagnóstico precoce? É perceber um nódulo, pele que muda de textura, mamilo que escapa do contorno habitual.
Segundo o INCA, os sinais e sintomas mais frequentes são: nódulo firme, fixo e, geralmente, indolor — presente em cerca de 90 % dos casos. Alterações da pele da mama — vermelhidão, retrações sutis, ou o aspecto de “casca de laranja” (pele com ondulações e pequenos poros aparentes), que mostra edema e comprometimento dos canais linfáticos superficiais. Retração ou inversão recente do mamilo, ou mudança de posição ou contorno da aréola mamária. Descarga mamilar suspeita – saída espontânea de líquido (claro ou sanguinolento), especialmente se unilateral e persistente, sem relação com gravidez ou lactação. Pequenos nódulos nas axilas ou regiões vizinhas.
Quando um nódulo é maligno revela-se com características que o diferenciam de lesões benignas: é firme, de contornos irregulares ou espiculados, fixo à pele ou aos planos profundos, cresce gradualmente e pode promover retrações cutâneas ou fixações. especialmente se unilateral, exige investigação médica especializada.
O outubro Rosa nos lembra que a prevenção vai além do laço e da cor: existe no olhar sensível que se dá a si própria, na urgência de buscar exames e na coragem de persistir, mesmo diante do medo. Se tocarmos, percebemos. Se investigarmos, antecipamos. Se agirmos cedo, aumentamos as chances da cura — mais leve e menos traumática.
Que o rosa deste mês reverta o silêncio e nos convide ao cuidado vigilante: nem todo toque é suposição, muitas vezes é alerta. E um alerta pode salvar uma vida.
Publicado em 01 outubro de 2025