Financiamento de Ecossistemas de Inovação

Artigo de Marcus Rocha
Especialista em Ecossistemas e Habitats de Inovação

Por se tratar de uma atividade empreendedora, é fundamental compreender que a inovação depende intensivamente de recursos econômicos e financeiros. Independentemente de ser uma inovação comercial, social ou governamental, sempre será necessário algum nível de investimento.

Inicialmente é importante diferenciar os recursos financeiros dos econômicos, pois, apesar de serem próximos, não são sinônimos. Os recursos financeiros são aqueles relacionados diretamente ao capital, ao dinheiro. Já os recursos econômicos são ativos que geram, ou que podem ser convertidos em, dinheiro. Ambos os tipos de recursos são importantes para as atividades relacionadas ao empreendedorismo inovador.

Para que um território seja um terreno fértil para o desenvolvimento de empreendimentos inovadores, além da cultura empreendedora, dos relacionamentos entre os atores de categorias tais como Empresas, Governo, Academia, Sociedade Civil Organizada, entre outras, e dos próximos empreendedores, é necessário dispor de recursos econômicos e financeiros. Ou seja, é necessário garantir o financiamento das diferentes atividades empreendedoras que ocorrem em um Ecossistema Local de Inovação, tanto para garantir acesso direto a diferentes opções de capital (venture capital, crédito, subvenções, etc.), quanto a tecnologias, equipamentos, laboratórios e tantos outros recursos econômicos importantes.

Este artigo se dedica a trazer ideias apenas sobre recursos financeiros.

É importante relembrar que um Ecossistema Local de Inovação não é uma entidade ou um local. É um modelo abstrato, cujo conceito foi ‘emprestado’ da Biologia para explicar as relações socioeconômicas que precisam ocorrer entre ‘seres’ (pessoas físicas e jurídicas de diferentes setores) para que a inovação aconteça de maneira sistemática em um território. Tal movimento é necessário para desenvolver, de maneira contínua, novos produtos, serviços, processos etc., que possam gerar vantagem competitiva sustentada para as organizações já estabelecidas no território, além de criar novos empreendimentos inovadores e, portanto, altamente competitivos.

Portanto, quando se fala em financiamento de ecossistemas de inovação, deve-se compreender que os sujeitos são empreendedores independentes ou organizações (privadas ou públicas) que buscam recursos financeiros para inovar em um determinado território. Ou seja, quem recebe o dinheiro são atores do ecossistema, que precisam de capital para realizar atividades que, tipicamente, se dividem em duas categorias principais:

  • Apoio ou incentivo ao empreendedorismo inovador: são diferentes iniciativas que atendem a vários empreendimentos inovadores ao mesmo tempo, com propósitos relacionados a pesquisa aplicada, capacitação de empreendedores, redução de riscos, ou maximização das chances de sucesso de inovações. Esse tipo de atividade normalmente está relacionada a metodologias específicas, bem direcionadas a uma das etapas da jornada do empreendedorismo inovador. Como exemplos desse tipo de atividade temos pré-incubadoras, incubadoras, aceleradoras, entre outras.
  • Empreendedorismo inovador direto: são os empreendimentos inovadores propriamente ditos, sejam startups, ou não. Esses novos empreendimentos podem ser criados dentro de organizações já existentes, ou se tornarem novas empresas.

É importante compreender as diferenças conceituais e operacionais para essas duas categorias principais, pois as fontes de recursos e a própria forma de aplicação tendem a ser bastante diferentes. O mais importante, no entanto, é que os atores do ecossistema local de inovação tenham algum nível de organização para articular e coordenar todas as frentes de trabalho em prol do empreendedorismo inovador. Ou seja, precisam criar algum nível de Governança para organizar as atividades de inovação no território.

(Confira o artigo completo em SC Inova, 28/08/2024)


Publicado em 28 agosto de 2024

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Artigos, Radar, Tecnologia
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