Parque Linear do Córrego Grande ganha reconhecimento nacional

O Parque Linear do Córrego Grande, em Florianópolis, ganhou nova projeção nacional ao ser selecionado para integrar a exposição Panorama da Arquitetura Brasileira 2015–2025, promovida pela Escola da Cidade, em São Paulo. O local, que transformou a relação dos moradores com o curso d’água e a vegetação nativa, está entre as 100 obras apresentadas na mostra, que pode ser visitada gratuitamente até 1º de dezembro, na Galeria da Cidade.

Desenvolvido pela arquiteta Juliana Castro, da JA8 Arquitetura Viva, em coautoria com César Floriano dos Santos, arquiteto e professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), o projeto busca integrar o ambiente natural à dinâmica urbana. Caminhos para pedestres, ciclovia, deques e uma ponte de uso exclusivo de pedestres e ciclistas permitem atravessar o parque e aproveitar a paisagem. “Ele une duas unidades de conservação muito importantes da Ilha: o Parque Municipal do Maciço da Costeira e o manguezal do Itacorubi. A ideia era criar um corredor ecológico que conectasse essas duas áreas”, explica o professor.

Com 17,6 mil metros quadrados, o parque foi inaugurado em 2016 e tem como um dos principais elementos a ponte com piso de madeira. Com espaços amplos nas extremidades, a estrutura também funciona como ponto de encontro e pode receber atividades comunitárias. O desenho prioriza a circulação de quem caminha e a aproximação entre os moradores e o córrego, que antes tinha pouca conexão visual e física com a cidade. “Foi um estudo de todo um sistema de espaços públicos que vai além do trecho do parque”, afirma Juliana.

TRANSFORMAÇÃO

A proposta também buscou recuperar áreas degradadas, preservar a vegetação existente e recompor áreas com espécies nativas. As estruturas de baixo impacto foram implantadas respeitando a área de preservação permanente nas margens do curso d’água.

A seleção para a exposição reconhece uma intervenção que vai além da paisagem. Ao conectar áreas antes separadas pelo sistema viário e estimular a ocupação dos espaços públicos, o local contribuiu para transformar a região em um lugar de convivência, lazer e circulação de pedestres e ciclistas.

O parque também recebeu o Prêmio Asbea Nacional 2018 e integrou a exposição Libre Acceso: Espacio Público Contemporáneo de América Latina, em Santiago, no Chile, em 2023. No mesmo ano, foi selecionado para a 12ª Bienal Internacional de Paisagem de Barcelona.

Exemplo de integração

A implantação do Parque Linear do Córrego Grande foi viabilizada por uma articulação entre poder público, comunidade, universidade e iniciativa privada. Segundo César Floriano, o trabalho de concepção urbanística desenvolvido por ele ocorreu de forma voluntária, como atividade de extensão da UFSC, por meio do Departamento de Arquitetura e Urbanismo.

Os recursos para a execução vieram de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), firmado após a mobilização de associações comunitárias junto ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina). As construtoras responsáveis por empreendimentos na região assumiram os custos das intervenções como contrapartida.

Para o professor, a experiência demonstra como o planejamento dos espaços públicos pode contribuir para a valorização urbana e imobiliária de um bairro. A integração entre os edifícios e o parque também favorece a circulação de pessoas. “Um desenho urbano bem elaborado, que as pessoas entendam como um bom espaço, valoriza o imóvel. Hoje, morar nessa região é um sonho para muita gente”, afirma.

LINHA DO TEMPO

Da mobilização comunitária ao reconhecimento nacional

2008 — Discussões do Plano Diretor levam à proposta de criar um parque linear ao longo do rio Córrego Grande, aprovada em audiências públicas.

2009 — Associações comunitárias criam o Fórum da Bacia do Itacorubi, que passa a atuar pela implantação do parque.

2012 — O fórum integra uma comissão com representantes da prefeitura para elaborar o projeto de lei de criação do parque.

2013 — Construtoras firmam um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público de Santa Catarina, com 12 medidas compensatórias solicitadas pelas entidades comunitárias.

2014 — Em 23 de janeiro, a Lei Municipal nº 9.455 cria o Parque Linear do Córrego Grande.

2015 — A trilha de acesso à Cachoeira do Poção é revitalizada e entregue à comunidade em 23 de março.

2016 — A intervenção arquitetônica é entregue à comunidade, com caminhos e uma ponte para pedestres e ciclistas que também funciona como ambiente de encontro.

2018 — O projeto recebe o Prêmio Asbea de Arquitetura. No mesmo ano, um decreto municipal designa nove entidades comunitárias para o comitê gestor.

2023 — O projeto integra uma exposição sobre espaços públicos latino-americanos em Santiago, no Chile, e é selecionado para a 12ª Bienal Internacional de Paisagem de Barcelona.

2026 — O parque integra o Panorama da Arquitetura Brasileira 2015–2025, na Galeria da Cidade, em São Paulo. A exposição fica aberta à visitação até 1º de dezembro.

(ND, 14/10/2026)


Publicado em 14 outubro de 2026

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