Mar de plástico: até quando vamos virar as costas?

Foto: Acervo pessoal

Artigo de Juliana Germann
Jornalista e nadadora

Todos os anos, mais de 11 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos. Se nada mudar, esse volume poderá quase triplicar até 2040. Mais de 80% do lixo marinho é composto por plástico. E o plástico não desaparece. Apenas muda de forma. Fragmenta-se em microplásticos que já foram encontrados na água, na comida e até no corpo humano.

O Brasil já ocupa posição preocupante entre os países que mais contribuem para a poluição plástica dos mares. No entanto, ainda falta uma política nacional capaz de enfrentar um problema cuja dimensão ultrapassa fronteiras. São números conhecidos, repetidos em relatórios internacionais, mas que parecem incapazes de produzir a urgência necessária.

Em Santa Catarina, a realidade também está diante dos nossos olhos. Estudos identificaram a praia do Pântano do Sul, em Florianópolis, entre as áreas com maior concentração de microplásticos do país. O que muitas vezes imaginamos como uma crise distante já faz parte da paisagem do nosso litoral.

Foi dessa urgência que nasceu o desafio “Mar de Plástico: até quando vamos virar as costas?”. Neste domingo (11), farei uma travessia ida e volta à Ilha do Campeche nadando exclusivamente de costas, um total de 3,3 quilômetros. O objetivo não é esportivo. É simbólico. Se durante algumas horas eu estarei literalmente de costas para o mar, nós fazemos isso diariamente diante da poluição plástica.

Nenhuma travessia mudará o planeta. Mas símbolos têm o poder de iniciar conversas, despertar incômodos e inspirar mudanças. E toda transformação começa exatamente assim: quando deixamos de tratar um problema como responsabilidade de alguém e entendemos que ele também depende das nossas escolhas.

Recusar uma sacola, evitar produtos descartáveis, reutilizar embalagens, cobrar políticas públicas e exigir responsabilidade de governos e empresas são atitudes pequenas quando vistas isoladamente, mas gigantes quando adotadas por milhões de pessoas.

O oceano começa muito antes da praia. Ele começa nas nossas decisões diárias. A pergunta, portanto, permanece: até quando continuaremos virando as costas?

(ND, 09/10/2026)


Publicado em 09 outubro de 2026

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Artigos, Meio Ambiente, Radar
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