Saúde de Florianópolis avança com estratégia baseada em dados

A saúde é uma das áreas em que a demanda nunca para de crescer. Para uma cidade que envelhece e atrai cada vez mais moradores, o desafio é aplicar os recursos disponíveis onde podem produzir maior impacto. Em Florianópolis, a prefeitura passou a usar dados para definir prioridades, ampliar a oferta e reduzir filas de espera na realização de exames. Os resultados dessa estratégia foram apresentados pelo prefeito Topázio Neto e pelo secretário municipal de Saúde, Almir Gentil, em uma visita exclusiva à sede do Grupo ND, em Florianópolis.

A mudança combina três frentes principais: o fortalecimento da estrutura própria, com o MultiHospital Florianópolis, no bairro Carianos; a compra de equipamentos considerados estratégicos; e a contratação de exames na rede privada.

Juntas, as medidas contribuíram para reduzir em 39% o total de solicitações de consultas, exames e procedimentos em espera entre setembro de 2025 e julho de 2026. Em alguns exames, a redução passou de 90%. Na definição da Secretaria de Saúde, uma fila é considerada zerada quando a oferta mensal de exames é maior que a entrada habitual de novos pedidos, permitindo eliminar também o estoque acumulado.

O trabalho passou a contar com uma área de inteligência, voltada a identificar quais exames poderiam contribuir para o diagnóstico precoce das doenças que mais levam a internações e mortes na Capital. O foco incluiu, principalmente, diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares e outras condições consideradas prioritárias.

“É preciso ter dados. Precisamos ter informações concretas para saber onde e como gastar o dinheiro”, explicou Gentil. A partir desse levantamento, a secretaria passou a direcionar investimentos e a oferta de serviços para os principais gargalos.

MultiHospital

Desde a abertura do MultiHospital, em 2024, a unidade contabiliza 725 mil atendimentos, entre consultas, exames e cirurgias, segundo o relatório do município. A gestão de uma estrutura própria permitiu ampliar a oferta de exames e reduzir a dependência das clínicas credenciadas.

Ao mesmo tempo, a contratação de clínicas e laboratórios particulares continua sendo fundamental para equilibrar a oferta. Segundo Gentil, a medida foi decisiva especialmente para ampliar a oferta de ultrassonografias, exames laboratoriais e radiologia. A prefeitura também passou a considerar a distribuição geográfica dos serviços, para que moradores de regiões como o Norte da Ilha pudessem realizar os exames mais próximos de casa. O prefeito destaca que a redução das filas representa também uma ampliação do acesso da população aos serviços municipais.

Gargalos ainda desafiam meta de zerar filas

Se parte das filas históricas foi reduzida, a Prefeitura da Capital reconhece que ainda há pontos difíceis de resolver. A ressonância magnética é hoje um dos principais exemplos.

“É um equipamento muito caro, o exame é demorado e a tabela do SUS (Sistema Único de Saúde) é baixa. Então, a contratualização é difícil”, explica Gentil. Segundo o secretário, as clínicas que têm o equipamento nem sempre têm horários disponíveis para atender à demanda do município.

A administração já conseguiu contratar o serviço em São José e afirma estar em negociação avançada com uma clínica de Florianópolis. A colonoscopia também permanece como desafio e, embora tenha apresentado queda importante no tempo de espera, Gentil afirma que a demanda já caiu de mais de 8.000 solicitações para cerca de 5.300, com a expectativa de zerar até dezembro.

Avanços em números

MultiHospital — desde junho de 2024

  • 725 mil atendimentos
  • 219 mil pessoas beneficiadas
  • 213 mil exames
  • 25,4 mil cirurgias

Rede municipal de saúde — setembro de 2025 a agosto de 2026

  • 531 mil pessoas atendidas

Redução das filas — setembro de 2025 a julho de 2026

  • Total: 324.829 → 197.616 — redução de 39%
  • Endoscopia digestiva alta: 10.350 → 178 — redução de 98%
  • Tomografia computadorizada: 11.242 → 369 — redução de 97%
  • Radiologia adulto: 14.627 → 39 — redução de 99%
  • Ultrassonografia: 58.394 → 1.548 — redução de 97%
  • Mamografia diagnóstica: 731 → 1 — redução de 99%
  • Exames laboratoriais: 57.596 → 1.122 — redução de 98%

Consultas e exames

  • 30 laboratórios contratualizados
  • 375 mil atendimentos mensais em consultas e exames
  • 120 mil receitas de medicamentos por mês

(ND, 15/09/2026)


Publicado em 15 setembro de 2026

Categorias:
Radar, Saúde
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