IBGE inicia em Florianópolis coleta de dados inédita do Censo da População em Situação de Rua; pesquisa oficial será em 2028

Da Coluna de Estela Benetti (NSC, 31/08/2026)

Com entrevistas na noite desta segunda-feira (31) na região do Continente, em Florianópolis, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) inicia a coleta de dados da prova-piloto do Censo Nacional da População em Situação de Rua. As entrevistas serão feitas à noite até quinta-feira e, sexta-feira, serão realizadas de manhã. Além do Continente, a coleta de dados será feita também nas regiões do Centro, Beira-Mar Norte, Norte da Ilha, Sul da Ilha e em pontos estratégicos do município. O encerramento será na região Centro-Leste da cidade.

Além de Florianópolis, mais quatro capitais foram incluídas nessa prova-piloto: Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Goiânia (GO) e Manaus (AM). O instituto fará mais uma prova-piloto em 2027 para experimentar o modelo de coleta de dados. A pesquisa oficial desse Censo será realizada e divulgada em 2028.

De acordo com o IBGE, para essa pesquisa, serão consideradas pessoas em situação de rua aquelas que tenham dormido nas ruas, em instituições de acolhimento ou abrigamento e ocupações não residenciais por pelo menos uma noite nos sete dias anteriores à data de referência da pesquisa.

Antes do início dos trabalhos, à tarde, o superintendente do IBGE em Santa Catarina, Roberto Kern Gomes, acompanhado do coordenador operacional da prova, Fabiano Rodolfo, e do observador da prova Bruno Mandelli, deu entrevista para explicar como será a coleta de dados e os objetivos nessa etapa. Segundo ele, há muito tempo o instituto vinha recebendo sugestão para fazer esse censo. E Florianópolis foi uma das cidades escolhidas por apresentar diversas características diferenciadas.

Por que Florianópolis foi incluída nessa prova-piloto

“Florianópolis, aqui no Sul, foi escolhida por uma série de razões. Tem uma característica bastante específica de ser um município insular, numa ilha. Tem desafios logísticos específicos que a gente já conhece como a dificuldade para se deslocar na ilha. Tem a questão da sazonalidade, a questão da presença de praias, do turismo e do fluxo migratório”, explicou Roberto Kern Gomes.

O executivo também destacou o fato de Santa Catarina ter sido o estado que teve o maior fluxo migratório apontado pelo Censo de 2022. O estado cresceu em 354 mil habitantes só no período de 2017 até 2022, que são os cinco anos que antecederam o Censo. Segundo ele, esse fluxo migratório continua, o que é um diferencial no estado.

De acordo com Roberto Kern Gomes, o IBGE está fazendo essa primeira pesquisa com muita atenção porque é uma instituição que tem expertise para fazer a pesquisa do Censo Populacional a domicílio há 90 anos, mas nunca fez censo da população em situação de rua. Antes dessa primeira entrevista, foi feita uma reunião de treinamento no Rio de Janeiro.

Em Florianópolis, o trabalho envolve 70 pessoas, incluindo recenseadores, supervisores, coordenadores, técnicos e pontos focais integrados por representantes de movimentos sociais e do poder público. As equipes dessa prova-piloto serão iguais nas cinco capitais onde as pesquisas acontecem.

Entrevistas serão realizadas em duplas

“As entrevistas serão realizadas em duplas, seguindo protocolos específicos para garantir a segurança das equipes e o respeito aos entrevistados. O planejamento da coleta foi desenvolvido a partir de ações prévias de mapeamento e reconhecimento dos territórios, com apoio de registros administrativos, observação em campo e ferramentas de geolocalização. A estratégia busca ampliar a cobertura da pesquisa e reduzir a possibilidade de omissão de pessoas em situação de rua durante a operação”, explica o IBGE em nota.

O instituto também informa que a imprensa não poderá acompanhar presencialmente esse trabalho. A medida visa preservar as condições necessárias para avaliação dos procedimentos metodológicos, tecnológicos e operacionais que estão sendo testados.


Publicado em 01 setembro de 2026

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