Festival convida público a redescobrir a arte pelas ruas de Florianópolis
Quem passa pelas ruas do Centro de Florianópolis pode até reconhecer alguns dos grandes murais que ocupam empenas e fachadas. Mas basta caminhar alguns metros ao lado de quem conhece as histórias por trás dessas obras para perceber que a cidade guarda cultura além das cores nas paredes.
Essa é a proposta do Tour Guiado do Street Art Tour, que terá edições abertas ao público neste fim de semana e foi apresentado ontem, em uma edição especial para convidados, em caminhada conduzida pelo Guia Manezinho, Rodrigo Stüpp.
A programação faz parte da terceira edição do Festival Street Art Tour, que este ano apresenta a temática “Conexões Lusófonas” e tem apoio da Rádio Alpha FM, do Grupo ND. O passeio gratuito percorre pontos do Centro e apresenta obras de diferentes períodos e linguagens, da arte urbana à reprodução de pinturas de Victor Meirelles. A proposta é entender o que elas dizem sobre a cidade, sua história e seus personagens.
“Uma das coisas mais fascinantes é você olhar para cima”, resume a arquiteta Silvia Lenzi, que participou da caminhada. Para ela, mesmo quem conhece Florianópolis há anos pode descobrir novos detalhes quando muda o jeito de percorrer as ruas.
“É uma descoberta da cidade”, afirmou.
O percurso também mostra como a arte urbana pode ressignificar personagens e espaços. Um dos destaques é o conjunto de obras dedicadas ao poeta Cruz e Sousa, em uma pintura de cerca de 700 m² na parede ao lado do museu que leva o nome do artista.
O guia conta que o primeiro mural em homenagem ao poeta, pintado por Rodrigo Rizo em 2018, trazia a figura de Cruz e Sousa e já provocava uma reflexão sobre a presença e o reconhecimento da população negra na história da Capital.
A obra deu lugar posteriormente a “Cruz e Sousa – poesia que liberta, liberdade que transcende”, que transforma elementos da trajetória do poeta em símbolos de força e resistência.
Painéis conectam culturas
O artista plástico Gnomo é um dos artistas que prepara a pintura de um dos painéis apresentados no tour, no Centro Leste. Nascido na Bahia, mas com vínculos familiares em Santa Catarina e vivendo atualmente em Lisboa, ele levou para a pintura referências da cultura da Ilha e de Portugal.
“Sempre tive essa relação com essa cultura mágica da Ilha e busquei pesquisar esses elementos. Fez muito sentido trazer um pouco da cultura portuguesa, onde vivo, junto com esses elementos da minha infância e de tudo que convivi aqui em Florianópolis”, explica.
Até domingo (6), mais de 100 artistas brasileiros e internacionais ocupam diferentes espaços da cidade com murais, exposições, oficinas, performances e música.
A proposta é discutir as relações construídas entre territórios que compartilham a língua portuguesa, mas também histórias de migração, resistência, ancestralidade e mistura cultural.
Programação da iniciativa
Street Art Tour – Conexões Lusófonas
Quando: sábado (5) e domingo (6)
Onde: Largo da Alfândega e outros espaços de Florianópolis
A programação principal do Street Art Tour acontece no Largo da Alfândega, com entrada gratuita.
No sábado, o público poderá acompanhar apresentações de MC Versa com Green Tea, Makalister e DJ Belton, com Alka, Negro Rudhy e Gustavo Menor, além de Melly.
No domingo, sobem ao palco Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago, além de Stefanie. O espaço também terá Mercado de Arte, oficinas e performances de Live Painting.
Tour Guiado: sábado e domingo, pelo Centro, com o Guia Manezinho Rodrigo Stüpp. Gratuito, com vagas limitadas. Inscrições no perfil do evento no Instagram @streetarttourfloripa.
Exposição Língua Viva: Galeria Berlin — Rua Vitor Konder, 409, Centro. Visitação das 13h30 às 23h.
Exposição “É Apenas o Começo”: Galeria Municipal Paulo Vichetti — Praça XV de Novembro. Sábado, das 10h às 16h.
(ND, 03/09/2026)
Publicado em 03 setembro de 2026