Entenda por que Florianópolis está de mãos atadas no caso da erosão na Praia dos ingleses
Da Coluna de Diogo de Souza (ND, 28/09/2026)
O avanço do mar e a erosão acentuada em um trecho de cerca de 500 metros na Praia dos Ingleses, em Florianópolis, voltaram a acender o debate sobre a eficiência da obra de engordamento da faixa de areia.
Apesar do impacto visual provocado pelas últimas ressacas, a Prefeitura da Capital descarta realizar intervenções emergenciais imediatas no local sem respaldo técnico.
Em entrevista exclusiva à coluna Bom Dia, o Secretário de Infraestrutura e Manutenção da Cidade, Rafael Hahne, explicou os motivos do recuo técnico, esclareceu valores envolvidos no contrato de manutenção e detalhou os próximos passos da gestão costeira na região.
“Ruim com a obra, pior sem ela”
Segundo o secretário, a leitura de que o alargamento falhou não corresponde à realidade dinâmica da engenharia costeira. Hahne pontua que, sem a dragagem executada, o colapso estrutural hoje restrito a um ponto específico teria atingido toda a orla do bairro.
“Se não tivéssemos feito o engordamento, esse colapso estaria acontecendo na praia inteira. Estimamos que a inércia causaria prejuízos de até R$ 3 bilhões na infraestrutura urbana”, destacou.
Transparência nos custos e rejeição a paliativos
Sobre as críticas a respeito de investimentos não utilizados, a pasta esclareceu que o contrato emergencial de cerca de R$ 2 milhões previsto para conter os danos não chegou a ser executado e, portanto, um valor irrisório, por manutenções pontuais usado.
A recusa em avançar com uma nova dragagem emergencial — como o transporte de areia vindo de Jurerê — baseia-se na falta de segurança técnica e jurídica. A operação pontual custaria um alto valor sem que pudesse ser assegurada a efetividade da intervenção.
“Colocar contenções rígidas agora pode proteger metros de infraestrutura, mas gera irradiação da erosão para os lados. Não adianta dar uma resposta precipitada para rebater críticas sem a certeza do resultado”, afirmou Hahne.
Solução integrada para o Norte da Ilha
A estratégia do município agora abandona intervenções isoladas e aposta em monitoramento contínuo. A cada quatro meses, equipes técnicas em conjunto com oceanógrafos e laboratórios da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) realizam o levantamento de dados na região.
Para o médio e longo prazo, a prefeitura programou estudos completos para 2027. O objetivo é obter uma licença ambiental única de gestão costeira, permitindo o manejo e a transferência legal de areia entre as praias do Norte da Ilha, como Jurerê e Ingleses, de forma preventiva e definitiva.
Publicado em 28 setembro de 2026