Qual o potencial turístico do Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte para Florianópolis?
Da Coluna de Fabio Gadotti (fabiogadotti.net, 12/08/2026)
O Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte tem potencial para tornar Florianópolis mais competitiva no circuito do turismo náutico, com a diversificação do perfil do visitante e a redução da dependência da temporada de verão. São percepções de lideranças da cidade que foram ouvidas pela coluna sobre o empreendimento de R$ 350 milhões que terá 600 vagas para embarcações. As obras começaram há um mês, depois de um longo processo para obtenção das licenças e questionamentos judiciais.
Secretário municipal de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação, Juliano Richter Pires afirma que “a experiência de cidades que investiram na revitalização de suas frentes marítimas demonstra que empreendimentos desse porte costumam ampliar significativamente a atratividade turística do destino”. De acordo com ele, “Florianópolis reúne características muito favoráveis para esse movimento, como uma baía abrigada, forte tradição náutica, localização estratégica no Sul do país e reconhecimento nacional como destino de lazer”.
Além disso, o secretário avalia que a tendência é que a marina atraia não apenas navegadores e proprietários de embarcações, com alto potencial de consumo em hoteis, restaurantes, comércio e serviços, mas também turistas interessados em gastronomia, entretenimento, eventos, esportes e experiências ligadas ao mar. “Mais do que aumentar o fluxo de visitantes, o potencial está em atrair um público que permanece mais tempo na cidade e gera maior movimentação econômica ao longo de todo o ano”, pontua.
Presidente da Acatmar (Associação Náutica Brasileira), Leandro “Mané” Ferrari também destaca a capacidade de atração de eventos, com diminuição da sazonalidade. “Uma marina desse porte cria condições para Florianópolis sediar regatas nacionais e internacionais, festivais náuticos, encontros de veleiros, feiras do setor, competições esportivas, ações de educação ambiental e eventos ligados à economia do mar. Esses eventos movimentam a cidade durante todo o ano, e fortalecem a imagem da capital como referência nacional em turismo náutico”, afirma.
O impacto, segundo ele, não se restringe às pessoas que costumamm navegar. “Pelo contrário: nas principais cidades costeiras do mundo, as marinas modernas funcionam como espaços públicos de convivência, gastronomia, lazer, cultura e contemplação, atraindo moradores e turistas independentemente de navegarem ou não”, afirma Mané Ferrari, referindo-se ao Parque Urbano.
“A experiência internacional mostra que marinas bem planejadas deixam de ser apenas locais para guardar barcos e passam a ser verdadeiros catalisadores de desenvolvimento urbano, turístico e econômico. É exatamente essa visão que defendemos: uma infraestrutura que gera empregos, atrai investimentos, amplia o turismo e conecta ainda mais a cidade com sua principal vocação, que é o mar”, reforça.
“O maior benefício do Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte será sentido no dia a dia de quem mora na capital, criando cerca de 140 mil metros quadrados de áreas públicas gratuitas, transformando um espaço hoje pouco aproveitado em um dos maiores espaços de uso coletivo da cidade”, complementa Juliano.
A capacidade de fomentar o turismo o ano inteiro também é lembrada por Juliano. “Diferentemente do turismo de praia, fortemente concentrado no verão, o turismo náutico possui calendário mais amplo e pode movimentar a economia também durante a baixa temporada”, acredita.
Presidente do Sinduscon Grande Florianópolis, Carlos Leite destaca que a marina vai criar uma nova atividade econômica e atrair um perfil diferente de turismo. A estrutura, lembra, terá condições de receber embarcações de outras regiões e de outros países.
“Quem navega precisa saber que encontrará um porto seguro, com manutenção, abastecimento e apoio. É isso que acontece nas grandes regiões náuticas do mundo. No verão europeu, por exemplo, é comum encontrar embarcações da Suécia, Noruega, Finlândia ou Inglaterra navegando até a Itália”, fala. Além disso, ele salienta que o parque urbano vai ampliar “significativamente a qualidade de vida da região”, especialmente para a população do maciço do Morro da Cruz, que “tem poucas alternativas de áreas públicas de lazer”.
Publicado em 13 agosto de 2026