Banco de Alimentos de SC combate a fome e busca ampliar rede de doadores
Santa Catarina lidera o país em segurança alimentar, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2024, 90,1% dos moradores do Estado viviam em domicílios nessa condição, enquanto 9,9% ainda enfrentavam algum grau de insegurança alimentar. É nessa parcela mais vulnerável que atua o Basc (Banco de Alimentos de Santa Catarina), entidade que conecta empresas, produtores e sociedade civil a instituições que atendem pessoas que precisam de apoio.
O trabalho funciona como uma ponte. O banco arrecada alimentos por meio de campanhas, doações de empresas e instituições, ações em supermercados e contribuições financeiras. Depois, os produtos são organizados e encaminhados para entidades previamente cadastradas, que fazem o atendimento direto à população.
A estrutura ainda é voltada principalmente para alimentos não perecíveis. Em junho, uma das maiores doações recentes veio da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), com mais de 70 toneladas de alimentos, entre feijão, farinha de milho e leite em pó. Com a ajuda de empresas parceiras, os produtos foram distribuídos em cerca de duas semanas para os núcleos do banco espalhados pelo Estado.
Hoje, o Basc tem atuação na Grande Florianópolis e Chapecó. Além de núcleos nas cidades de Criciúma, Tubarão, Blumenau, Jaraguá do Sul e Lages. A distribuição é feita de acordo com as necessidades das instituições e com os alimentos disponíveis.
“A gente tenta também direcionar o alimento que recebe conforme o público, ou seja, um asilo pode receber alimentos diferentes de uma casa de acolhimento que tem mais jovens e adolescentes”, explica o presidente do Basc, Sandro Volpato.
VARIEDADE
Nem sempre, porém, é possível atender a todas as necessidades. Como as doações não chegam de maneira equilibrada, a variedade dos produtos depende do que é arrecadado em cada período.
O banco não distribui alimentos diretamente para pessoas físicas. Para receber as doações, a instituição precisa passar por um processo de cadastramento, apresentar documentos como estatuto e CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), informar seus responsáveis e receber visitas de acompanhamento.
A rede inclui instituições que atendem diferentes públicos, como crianças, idosos, pessoas em situação de rua, pessoas em recuperação do uso de substâncias e famílias em situação de vulnerabilidade. O modelo também permite que os alimentos cheguem a comunidades por meio de organizações que já conhecem a realidade local.
“Só recebe realmente quem está cadastrado no banco”, reforça Volpato.
Sandro Volpato integra o Basc desde 2021 e, no início de 2025, assumiu a presidência executiva da entidade. A estrutura conta atualmente com apenas um funcionário efetivo. O restante da equipe é formado por voluntários, incluindo o próprio presidente.
O desafio de manter a estrutura
Se a arrecadação de alimentos é uma frente que vem crescendo, manter a estrutura necessária para receber, organizar e distribuir os produtos continua sendo um dos principais desafios. A sede foi cedida pela Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) por meio de contrato de comodato.
O banco também conta com um veículo doado e com o apoio de empresas para custear a operação. A Engie Brasil, uma das parceiras, contribui com cerca de R$ 8.500 por mês. Mesmo assim, a manutenção precisa ser buscada mês a mês.
A logística das grandes doações também depende da cooperação. No caso das mais de 70 toneladas recebidas da Conab, empresas parceiras disponibilizaram caminhões para levar os alimentos aos diferentes pontos do Estado.
“Foi um trabalho muito forte de cooperação mesmo para que esse alimento chegue”, afirma Volpato.
Planejamento e antecipação
A estrutura também começa a se preparar para situações emergenciais. Em conjunto com a Defesa Civil e empresas, o Basc discute um plano de contingência para eventual necessidade de receber, separar e distribuir alimentos em caso de eventos climáticos que provoquem aumento da demanda.
De acordo com um planejamento executivo, a atuação do banco de alimentos começa a avançar para outras frentes. A entidade pretende oferecer oficinas, capacitações e palestras para pessoas vinculadas às instituições beneficiadas, criando caminhos para qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho. A ideia é aproximar também empresas que tenham vagas disponíveis desse público.
Outra iniciativa prevista é a implantação de uma cozinha educativa na sede. O espaço deverá atender cozinheiras das instituições que recebem os alimentos, além de incentivar o empreendedorismo, especialmente entre mulheres que tenham habilidades na cozinha. A proposta também prevê atividades, cursos e eventos para arrecadar alimentos e recursos.
O banco estuda ainda ampliar a atuação com alimentos perecíveis. Segundo Volpato, já existem conversas com iniciativas como o Mesa Brasil e o Banco de Alimentos de Florianópolis para construir uma parceria em que os produtos perecíveis possam ser complementados pelos alimentos não perecíveis distribuídos pelo Basc.
Como ajudar
O apoio pode vir de diferentes formas. Empresas, supermercados, produtores rurais e indústrias podem doar alimentos em condições adequadas para consumo.
Pessoas físicas também podem contribuir financeiramente ou participar como voluntárias pelo WhatsApp (48) 99144-6918 ou pelo site bancodealimentosdesc.com.br.
Escolas, instituições religiosas e outros grupos podem organizar campanhas de arrecadação e encaminhar os alimentos.
Para Volpato, o trabalho depende justamente dessa soma de esforços.
“O banco de alimentos é uma oportunidade de a gente poder devolver um pouquinho daquilo com que a gente é agraciado todos os dias.”, afirma.
(ND, 12/08/2027)
Publicado em 12 agosto de 2026