Florianópolis investe R$ 12 milhões para monitorar dez praias até 2030
O futuro das praias do Norte da Ilha não deve ser decidido apenas quando a faixa de areia começa a desaparecer. Essa é a lógica por trás do programa de monitoramento costeiro apresentado pela Prefeitura de Florianópolis à diretoria executiva da ACIF (Associação Empresarial de Florianópolis). O município vai investir R$ 12,1 milhões até 2030 para acompanhar a dinâmica das praias e reunir dados para planejar novas intervenções antes que problemas surjam e se agravem.
A apresentação, na terça-feira (28), foi conduzida pelo secretário de Infraestrutura e Manutenção da Cidade, Rafael Hahne, que mostrou os estudos, alargamentos realizados e o planejamento para a gestão da costa Norte. A proposta é deixar para trás uma atuação com intervenções isoladas e observar o conjunto das praias como um sistema costeiro.
“As obras eram tratadas isoladas. Fizemos Canasvieiras, Ingleses, Jurerê e o objetivo desse monitoramento é fazer essa integração dos fatores, pois o sistema do Norte da Ilha é único”, explicou Hahne.
O monitoramento vai além das orlas que tiveram alargamento da faixa de areia, contemplando dez praias: Daniela, Forte, Jurerê, Canajurê, Canasvieiras, Cachoeira do Bom Jesus, Ponta das Canas, Lagoinha, Praia Brava e Ingleses.
Uma empresa contratada faz o acompanhamento técnico e produz relatórios semestrais. O objetivo, segundo a prefeitura, é construir uma base histórica capaz de indicar a evolução da costa, a necessidade de novas intervenções e até o momento mais adequado para executá-las.
“Com a recorrência de relatórios, temos uma expectativa de volume, quando teria que ser feita uma intervenção mais abrangente e em qual praia. O acompanhamento nos dá informações técnicas e não apenas pontuais”, afirmou Hahne.
Areia como patrimônio econômico
A apresentação na ACIF também colocou em discussão o impacto econômico da recuperação das praias. Além do secretário Hahne, participaram o oceanógrafo Rafael Bonanata e o cientista costeiro Lindino Benedet, catarinense que vive há 21 anos na Flórida e atua com obras de recuperação costeira nos Estados Unidos. A experiência norte-americana serviu de referência para discutir o retorno econômico dos investimentos na faixa litorânea.
Para o presidente da ACIF, Célio Bernardi, a discussão não deve se limitar à recuperação da areia. O planejamento precisa considerar infraestrutura, fiscalização, atendimento ao turista, uso pelos moradores e organização das atividades econômicas.
“Foi uma grata surpresa o secretário Hahne apresentar o programa de monitoramento, um investimento de R$ 12 milhões, que profissionaliza a gestão da orla e permite analisar as nossas praias como ativo econômico”, destacou Bernardi.
Monitoramento nos Ingleses
A experiência de Florianópolis reúne três intervenções de recuperação da faixa de areia: Canasvieiras, Jurerê e Ingleses. Nesta última, a intervenção recuperou 2.870 metros de praia, com uma faixa de areia de aproximadamente 50 metros de largura e elevação de até dois metros.
Apesar da recuperação, em 2023, o alargamento nos Ingleses teve um processo erosivo em outubro de 2025. Hahne classifica aquele ponto de erosão como um “hotspot”, termo utilizado tecnicamente para áreas onde o processo erosivo é contínuo.
“Foi pontual. Na área técnica se denomina hotspot, uma área de calor com problema de erosão contínua. Seguimos monitorando e essa é a grande questão. Sabemos do problema, estamos monitorando e avaliando as soluções físicas e financeiras mais adequadas também para intervir naquele ponto”, afirmou.
A estratégia pretende justamente evitar que cada ocorrência seja tratada de maneira independente. Florianópolis tem 42 praias catalogadas e uma fronteira costeira diretamente exposta à dinâmica oceânica. Para o secretário Hahne, acompanhar essa transformação de maneira permanente é fundamental para decisões de médio e longo prazo.
A prefeitura também pretende levar a mesma lógica para outras áreas da cidade. Entre os desafios futuros estão a consolidação de uma gestão costeira na região Sul, com atenção aos trechos mais vulneráveis à erosão.
Para Bernardi, da ACIF, o desafio agora é transformar o planejamento numa política permanente.
“Temos que olhar com um planejamento de longo prazo e tanto o morador quanto a administração pública auxiliarem na construção dessa visão do futuro da nossa cidade”, declarou.
Obras executadas nos balneários da região
– Canasvieiras: 385.561,57 m³
– Jurerê: 491.229,77 m³
– Ingleses: 499.581 m³
Dados específicos dos Ingleses
– Extensão recuperada: 2.870 metros
– Faixa de areia: 50 metros de largura
– Elevação: +2 metros
– Área total de dragagem: 249.920 m²
– Profundidade de dragagem: de -7 a -12 metros (DHN)
– Granulometria: areia fina, de 0,180 mm
– Compatibilidade ambiental garantida
Ecossistema de monitoramento contínuo
Daniela, Forte, Jurerê, Canajurê, Canasvieiras, Cachoeira do Bom Jesus, Ponta das Canas, Lagoinha, Praia Brava e Ingleses.
Panorama orçamentário
R$ 12,1 milhões de investimento estratégico para evitar o colapso estrutural da costa:
– 2026: R$ 2,80 milhões — 23%
– 2027: R$ 4,65 milhões — 38%
– 2028: R$ 2,90 milhões — 24%
– 2029: R$ 894 mil — 7%
– 2030: R$ 894 mil — 7%
(ND, 31/07/2026)
Publicado em 31 julho de 2026