Encontro sobre urbanismo reúne especialistas para debater o futuro de Florianópolis e a transformação do Centro da cidade

O futuro de Florianópolis esteve no centro dos debates na manhã desta quarta-feira (17). Realizado em uma sala de cinema do Beiramar Shopping, o encontro “Urbanismo em Movimento” reuniu arquitetos, empresários, corretores, representantes do mercado imobiliário e lideranças locais para discutir as transformações urbanas que vêm redesenhando a Capital e os caminhos para uma cidade mais conectada, humana e preparada para as próximas gerações.

Ao longo da programação, especialistas apresentaram projetos, experiências e reflexões sobre temas como mobilidade, qualificação dos espaços públicos, revitalização de áreas centrais, planejamento urbano de longo prazo e o fortalecimento da relação entre as pessoas e a cidade.

Para Gustavo Bulcão Vianna, sócio da RBV Incorporadora e um dos idealizadores do encontro, o urbanismo contemporâneo exige um olhar mais amplo do que o tradicional desenvolvimento imobiliário.

“Esse encontro é um marco na nossa cidade, porque falar sobre urbanismo hoje não é mais sobre tijolos e edificações, é sobre pessoas, sobre ruas, sobre as calçadas, sobre a cidade como um todo”, afirma Bulcão Vianna.

Segundo ele, a proposta do encontro foi reunir diferentes visões capazes de contribuir para o planejamento urbano, trazendo experiências nacionais e internacionais voltadas à construção de cidades mais eficientes e acolhedoras.

Entre os participantes estiveram representantes da Apex Partners, JA8 Arquitetura Viva, Talls Solutions, do Grupo FG, Somos EXP e profissionais ligados ao desenvolvimento urbano, arquitetura e mobilidade.

Planejar a cidade antes dos problemas surgirem

Um dos principais temas discutidos foi a necessidade de Florianópolis adotar uma visão de longo prazo para o crescimento.
Ao contrário do modelo tradicional de planejamento urbano, baseado na resposta a problemas já instalados, os especialistas defenderam uma abordagem voltada à antecipação dos desafios futuros.

Questões como mobilidade, habitação, infraestrutura, preservação ambiental e ocupação urbana foram apresentadas dentro de uma lógica de planejamento capaz de preparar a cidade para o aumento populacional projetado para as próximas décadas.

A discussão dialoga diretamente com iniciativas como o Floripa 400, programa que projeta o desenvolvimento de Florianópolis até os 400 anos da cidade e busca construir diretrizes permanentes para o futuro urbano.

Durante o encontro, também foram debatidos projetos estruturantes que devem impactar Florianópolis nos próximos anos, como as atualizações do Plano Diretor e novos modelos de ocupação urbana voltados ao fortalecimento das áreas centrais.

“Temos um BRT [sigla em inglês para Transporte Rápido por Ônibus] que está chegando na nossa cidade para trazer previsibilidade no trânsito, você chegará no horário certo. Ao invés de pegar o carro para ir para a UFSC, você acaba pegando o BRT que, em 7 minutos, você chega”, afirmou Gustavo.

O Centro como protagonista da nova Florianópolis

Entre os consensos do encontro esteve a importância estratégica da região central para o futuro de Florianópolis.

Especialistas destacaram que fortalecer áreas já consolidadas representa uma forma mais sustentável de crescimento urbano, aproveitando infraestrutura existente, reduzindo deslocamentos e diminuindo a pressão sobre áreas ambientalmente sensíveis.

O assunto dialoga diretamente com o conceito “Cidade de 15 Minutos”. Defendido pela RBV Incorporadora, o modelo foi criado pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno e parte da premissa de permitir que as pessoas tenham acesso às principais necessidades em trajetos curtos, priorizando a caminhabilidade, mobilidade ativa, uso misto dos ambientes urbanos e valorização dos espaços públicos.

A proposta é incentivar uma cidade onde moradia, trabalho, serviços, lazer e mobilidade estejam mais próximos das pessoas, reduzindo a dependência do automóvel e ampliando a qualidade de vida.

Nesse contexto, ruas, praças e áreas públicas passam a ser entendidas não apenas como locais de passagem, mas como espaços de convivência, permanência e construção de vínculos sociais.

Rua Dom Jaime Câmara entra no debate sobre revitalização urbana

A requalificação da Rua Dom Jaime Câmara, localizada em uma das áreas mais estratégicas da região central de Florianópolis, também foi apresentada durante o evento. O projeto será executado junto ao futuro empreendimento Monumental.

A via integra um importante eixo de articulação urbana da Capital, conectando serviços, comércio, mobilidade e diferentes fluxos que ligam a Ilha ao Continente.
A proposta apresentada prevê melhorias voltadas à experiência urbana, incluindo qualificação do passeio público, arborização, ampliação dos espaços destinados aos pedestres, melhorias de acessibilidade, mobiliário urbano e estímulo à permanência de pessoas na rua.

Também estão previstas oficinas participativas para ouvir moradores, comerciantes e usuários da região, permitindo que as intervenções dialoguem com as necessidades reais de quem vive e circula pelo local.

A ideia segue conceitos contemporâneos de urbanismo que colocam as pessoas no centro do planejamento urbano.
“Não é só pensar do tapume para dentro, mas sim do tapume para fora”, afirmou Gustavo Bulcão Vianna.

Ainda segundo o empresário, a proposta busca resgatar a relação histórica da cidade com os espaços públicos.

“Regeneração urbana, resgatar a memória afetiva do centro que a gente viveu no passado e a gente quer trazê-lo de volta. O centro mais potente para a nossa cidade”, destaca o sócio da RBV Incorporadora.

Urbanismo centrado nas pessoas

Outro ponto recorrente nas apresentações foi a defesa de um urbanismo mais humano, baseado na compreensão de que cada lugar possui características próprias e precisa ser pensado a partir da realidade de quem o utiliza.

Os especialistas destacaram a importância de entender não apenas os aspectos físicos das cidades, mas também as experiências, comportamentos e necessidades das pessoas.

Além disso, a valorização da vegetação nativa, a criação de áreas sombreadas, a atração da fauna urbana e o fortalecimento da caminhabilidade também estiveram entre os conceitos apresentados ao longo da manhã.

Mais do que discutir obras ou empreendimentos específicos, o Urbanismo em Movimento reforçou a necessidade de construir uma visão coletiva para o futuro de Florianópolis.

“Florianópolis inicia agora uma nova etapa da história. Uma etapa em que o urbanismo deixa de ser apenas uma disciplina técnica para assumir um papel como instrumento de transformação social, econômica, cultural e humana. Porque as melhores cidades não são aquelas que apenas crescem, são aquelas que sabem para onde estão indo”, concluiu Gustavo Bulcão Vianna.

(DeOlhonaIlha, 17/06/2026)


Publicado em 18 junho de 2026

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Desenvolvimento, Radar
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