Estado e municípios precisam debater a gestão das ‘rodovias’ engolidas pela urbanização em SC
Da Coluna de Diogo de Souza (ND, 13/04/2026)
A reta final da administração estadual traz de volta um tema urgente, mas frequentemente varrido para debaixo do tapete: a municipalização das rodovias na Grande Florianópolis.
É preciso deixar claro que não se trata de uma crítica isolada à gestão de Jorginho Mello, mas de um alerta sobre décadas de omissão de sucessivos governos que ignoraram o adensamento demográfico da nossa região.
O resultado está aí: uma malha de SCs sem capacidade de fluxo e, pior, sem qualquer previsão real de melhoria.
O exemplo da Admar Gonzaga (SC-404), no Itacorubi, é gritante. É uma rodovia no papel, mas um trecho sufocado pela urbanização na prática.
O Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas) é um dos principais centro de tratamento de Câncer do Sul do País, requer um acesso mais fluido e estruturado.
O mesmo vale para a SC-281, em São José, um corredor fundamental para o desenvolvimento municipal que segue sob a “aba” estadual, o que trava qualquer intervenção mais ágil – vide os cerca de 900 metros que precisam ser expandidos.
Manter trechos com características estritamente urbanas sob jurisdição do Estado é um modelo arcaico.
Isso engessa soluções simples, como a criação de binários, melhorias em cruzamentos e sinalizações que o município faria com muito mais velocidade.
Aproveitando o vácuo e o debate pré-eleitoral, é o momento de encarar essa viabilidade de frente.
Quem vive o caos é a cidade, e é ela quem deve ter autonomia para transformar rodovias obsoletas em avenidas funcionais.
O Estado precisa ter a grandeza de abrir mão do que não tem fôlego para gerir.
Do contrário, continuaremos todos sufocados em engarrafamentos sem fim e sem perspectivas.
Publicado em 14 abril de 2026