Jurerê Internacional e o turismo da cidadania

Foto: Arquivo pessoal
Artigo de Rodrigo Sabatini
Presidente do Instituto Lixo Zero Brasil
Em fevereiro, a praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis, foi palco do Encontro Nacional de Embaixadores Lixo Zero, promovido pelo Instituto Lixo Zero Brasil com apoio da Habitasul. Realizar o evento na areia foi simbólico: a praia é um bem comum, não pertence a um condomínio nem a um empreendimento — pertence a todos.
Florianópolis tem uma meta legal de se tornar Lixo Zero até 2030. Desde 2018, a cidade vem estruturando um modelo baseado em participação popular, compostagem, coleta seletiva, separação na origem e corresponsabilidade. Mais do que melhorar indicadores, trata-se de transformar cultura.
Em Jurerê Internacional, o conceito ganhou forma concreta. Condomínios, comércios e áreas públicas passaram a incorporar práticas de redução, separação e destinação adequada de resíduos. A comunicação é clara, a infraestrutura é adequada e o cuidado com a praia é permanente. O resultado não é apenas uma orla limpa, mas um pacto coletivo de proteção dos bens comuns — água, areia, paisagem e qualidade de vida.
Durante o encontro, chamou atenção o comportamento dos turistas. Muitos participaram ativamente, separando resíduos, perguntando sobre compostagem, elogiando a organização. Não eram espectadores passivos. Eram parte da solução.
É nesse ponto que surge o turismo da cidadania. Diferente do turismo entendido como consumo de paisagem, ele cria condições para que o visitante exerça sua cidadania mesmo fora de casa. Infraestrutura, educação e exemplo institucional permitem que usufruir também signifique cuidar.
O espaço educa. O território comunica valores. Ao viver uma experiência onde a praia permanece limpa e organizada, o visitante leva uma nova referência para sua cidade. E referências transformam comportamento.
Jurerê Internacional pode estar inaugurando um novo paradigma: um turismo em que desenvolvimento e responsabilidade caminham juntos, e onde aproveitar o destino significa também proteger aquilo que é de todos.
(ND, 14/03/2026)
Publicado em 16 março de 2026