Parque Urbano e Marina Beira-Mar inauguram nova economia do mar na Capital
A assinatura das licenças ambientais e do alvará de construção do Parque Urbano e Marina Beira-Mar marca o início de uma das maiores transformações urbanas da história recente de Florianópolis. Com investimento privado estimado em R$ 350 milhões e previsão de gerar mais de 2.000 empregos diretos e indiretos, o projeto inaugura uma nova economia ligada ao mar, ao lazer e aos serviços náuticos no coração da Capital.
Autorizada oficialmente ontem, em cerimônia na própria Beira-Mar Norte, a obra prevê a criação de um parque urbano de grande porte integrado a uma marina no Centro da cidade, devolvendo Florianópolis à sua vocação marítima e criando um novo espaço público de convivência, esporte, comércio e turismo. Após décadas de debates e cerca de cinco anos de licenciamento, o projeto sai do papel com cronograma definido: quatro anos para entrega total, com parte da estrutura já disponível à população à metade desse período.
“Essa é uma estrutura que vai ditar novos rumos para a cidade como um todo. É um equipamento absolutamente democrático, com grande impacto positivo em cadeia, desde a construção até o pleno uso pela população”, afirmou o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), destacando a geração de empregos e a movimentação de novos serviços ligados à economia náutica, à gastronomia e ao turismo.
MÃO DE OBRA
Além da transformação urbana, o projeto inaugura um novo ciclo econômico para Florianópolis, com impacto direto na geração de empregos e na qualificação profissional. A expectativa é de cerca de 2.000 postos de trabalho, conta com empregos diretos e indiretos, desde a fase de obras até a operação plena do parque e da marina. “Esse empreendimento vai movimentar todo o ecossistema da cidade, com capacitação de mão de obra para a área náutica, manutenção de embarcações, motores, além de serviços, comércio e gastronomia”, destacou o prefeito, lembrando que já há conversas com o Senai para a criação de cursos específicos voltados à economia do mar.
Para o presidente da Acatmar (Associação Náutica Brasileira), Leandro Ferrari, o projeto simboliza um avanço estratégico. “É um passo decisivo para uma cidade que entende seu potencial, se reconecta com o mar e aposta em desenvolvimento sustentável, qualificação urbana e geração de oportunidades”, afirmou.
Cidade viva
O novo parque será dividido em três setores, com equipamentos voltados à fruição pública, práticas esportivas e integração com o mar. Estão previstos playgrounds, academias ao ar livre, pista de esportes radicais em padrão olímpico, quadras recreativas e de areia, quiosques, arquibancadas, rampas náuticas de uso público, áreas verdes e espelhos d’água interativos.
A marina contará com mais de 600 vagas para embarcações, distribuídas entre uso público e privado, em um espelho d’água de aproximadamente 300 mil metros quadrados. O espaço também reunirá serviços, gastronomia e entretenimento, consolidando uma nova centralidade urbana na Beira-Mar Norte. “O diferencial está na geografia. Estamos falando de atividades integradas, de frente para a baía Norte, aproximando definitivamente a cidade do mar”, reforçou Topázio Neto.
Licenciamento ambiental e sustentabilidade
O licenciamento ambiental, concedido pelo IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), foi considerado um dos mais complexos já analisados no Estado. O processo envolveu a avaliação de impactos ambientais, sociais e econômicos, além de uma série de condicionantes para garantir a preservação da baía Norte.
“O IMA está extremamente orgulhoso de contribuir para um projeto dessa magnitude. É um empreendimento que mandou horas técnicas dentro do instituto e um dos mais completos do ponto de vista ambiental”, afirmou o presidente do órgão, Josevan Camargo Cruz Junior.
Segundo ele, o projeto comprova que é possível conciliar sustentabilidade, desenvolvimento urbano e crescimento econômico dentro da legislação. Entre as medidas previstas está a retirada de sedimentos contaminados acumulados ao longo dos anos, ações que devem contribuir para a melhoria da qualidade da água na região central da cidade.
Um legado para a cidade
Entidades empresariais e movimentos da sociedade civil participaram ativamente da construção do projeto ao longo dos anos. Para o presidente da ACIF (Associação Empresarial de Florianópolis), Célio Bernardi, a oficialização do parque e da marina representa o resultado de décadas de articulação. “É uma vitória urbanística, econômica e social, construída a muitas mãos, que coloca Florianópolis em um novo patamar”, avaliou.
Já o presidente da FloripAmanhã, Daniel Araújo, destacou o legado urbano do projeto. “Estamos falando de planejamento de longo prazo, de reconexão com a vocação natural da cidade e de criação de espaços públicos de qualidade. É um marco para as próximas gerações”, afirmou.
O presidente do movimento Floripa Sustentável, Roberto Costa, comentou sobre a ideia de que o espaço da marina seria um ambiente destinado a frequentadores com alto poder aquisitivo, quando, na verdade, o novo parque será aberto e de uso gratuito.
“A gente não entende como é que alguns segmentos ideologizados colocam a marina como uma coisa para ricos. Na verdade, a marina é um dos equipamentos mais democráticos que tem no mundo. Em todos os lugares que ela existe”, comentou.
Conclusão em quatro anos
Com a liberação das licenças, a empresa concessionária inicia agora a fase de mobilização. A primeira etapa contempla a execução do aterro, implantação de equipamentos públicos e jardinagem, com prazo estimado de dois anos e meio. A conclusão total, incluindo a marina, está prevista para quatro anos.
O secretário municipal de Infraestrutura e Manutenção da Cidade, Rafael Hahne, explica que o planejamento busca minimizar impactos no trânsito e na rotina da cidade. “É uma obra executada em etapas, com foco em reduzir interferências e garantir segurança. A prioridade é concluir o aterro para depois avançar nas estruturas”, afirmou.
O projeto também prevê integração com o transporte público, requalificação do traçado existente e adequações viárias para futura inserção do sistema de BRT na Beira-Mar Norte.
Eduardo Koerich, presidente da CDL Florianópolis, afirma que o parque representa um avanço importante na forma como a cidade pensa seus espaços urbanos. “Projetos como o Parque Urbano e a Marina mostram que é possível conciliar desenvolvimento econômico, sustentabilidade e bem-estar coletivo, transformando áreas estratégicas em ativos urbanos vivos, acessíveis e pensados para o longo prazo”, concluiu.
Um sonho antigo, agora com licenças e cronograma definido
A implantação do Parque Urbano e Marina Beira-Mar é considerada uma das mais significativas intervenções urbanas já realizadas na região central da Capital desde o aterro que deu origem à avenida Beira-Mar Norte, nos anos 1960. O projeto contempla uma área total de concessão de aproximadamente 440 mil metros quadrados, sendo cerca de 140 mil metros quadrados destinados ao uso público.
“Não estamos entregando apenas o início de uma obra. Estamos entregando um sonho que Florianópolis aguardava há mais de 30 anos”, declarou o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). Segundo ele, a parceria entre o governo do Estado, a prefeitura e a iniciativa privada foi fundamental para destravar um projeto que enfrentou diferentes entraves ao longo das décadas. “É desenvolvimento com responsabilidade, sem um centavo de investimento público, e com retorno direto para a população”, completou.
Para o secretário de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação de Florianópolis, Juliano Richter Peres, essa data marca um trabalho técnico e persistente, construído ao longo de muitos anos. “É uma obra muito aguardada pela cidade, que hoje começa, de fato, a sair do papel. É um projeto que simboliza planejamento, diálogo e visão de futuro. Um novo capítulo para o turismo da Capital”, detalhou.
O investimento será feito pela empresa JL Construções, vencedora do processo licitatório, que terá a concessão do espaço por 35 anos. A marina será a fonte de custeio para a manutenção do parque público, garantindo acesso gratuito às áreas de lazer, esporte e convivência.
Para o presidente da construtora, João Luiz Félix, a preocupação ambiental é primordial. “Há rigorosas exigências ambientais para as embarcações. A qualidade da água na marina será uma prioridade, permitindo até mesmo nadar entre os barcos”, planeja.
Bandeira defendida pelo Grupo ND
A proposta da construção de uma marina na Beira-Mar Norte surgiu em 2013, quando um projeto contratado pelo Grupo RIC (hoje Grupo ND) previa outras melhorias para a cidade e foi apresentado ao então prefeito Cesar Souza Junior e ao então governador Raimundo Colombo.
O Grupo RIC chegou a contratar um escritório de engenharia e urbanismo para elaborar o estudo de uma marina na cidade e o apresentou a Cesar Souza Junior, que fez os encaminhamentos necessários. O projeto avançou, mas não se tornou realidade na época. Agora, anos depois, o projeto está com as licenças aprovadas para sair do papel.
(ND, 10/02/2026)
Publicado em 10 fevereiro de 2026