Um caminho necessário para a promoção da vida

Homem de terno azul e óculos sorri em ambiente interno com cadeiras brancas ao fundo.Artigo de Luiz Alberto Silveira
Médico, membro da Academia de Medicina do Estado de Santa Catarina e da FloripAmanhã

A construção de uma sociedade saudável depende, essencialmente, de consciência. Em um mundo onde a informação se multiplica, mas a compreensão permanece desigual, torna-se urgente estruturar um projeto de educação continuada voltado à promoção e proteção da saúde.

É necessário esclarecer, de forma acessível, o que é saúde, o que é doença e por que essa distinção transforma vidas. Saúde é bem-estar, equilíbrio e autonomia; doença é ruptura, alerta e vulnerabilidade. Quando a população compreende esses conceitos, fortalece-se o cuidado coletivo.

A educação deve reforçar os princípios da prevenção primária, sustentada pelos pilares de um estilo de vida saudável — alimentação adequada, atividade física, boas relações sociais, sono reparador, manejo do estresse e propósito existencial. Esses hábitos se tornam ainda mais essenciais diante do rápido envelhecimento populacional, que exige não apenas mais serviços, mas serviços diferentes: centrados na funcionalidade, na autonomia, na prevenção de fragilidades e na promoção da longevidade ativa.

Nesse cenário, é indispensável revisar a formação profissional orientando seus currículos e vagas segundo as reais necessidades da população, evitando a formação excessiva em áreas de menor impacto social enquanto faltam especialistas fundamentais em regiões inteiras do país.

A educação continuada deve acompanhar esse processo, preparando profissionais para lidar com tecnologias emergentes, com a Inteligência Artificial aplicada à saúde e com modelos de cuidado centrados na pessoa e na comunidade. O Sistema Único de Saúde, implementado em 1988, necessita ser revisitado à luz das novas demandas.

Os avanços tecnológicos, a ampliação do acesso e a busca por equidade exigem reorganização. Não basta formar profissionais: é preciso fixá-los onde a população realmente necessita e garantir remuneração justa, condições adequadas e políticas que distribuam equipes de forma equilibrada, evitando saturações nos grandes centros urbanos e vazios assistenciais no interior.

Um projeto de educação continuada deve, portanto, articular conhecimento técnico, humanismo, inovação e planejamento estratégico preparando cidadãos para o autocuidado e capacitar profissionais diante de um futuro cada vez mais integrado e digital que não prescinde do humanismo.

(ND, 10/01/2026)


Publicado em 12 janeiro de 2026

Categorias:
Artigos, Educação, Radar, Saúde
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