O problema que Florianópolis não pode mais empurrar para depois

Artigo de Carlos Berenhauser Leite
Presidente do Sinduscon Grande Florianópolis

Florianópolis construiu sua imagem sobretudo por seus atrativos naturais preciosos. Poucas capitais no mundo podem se dar ao luxo de garantir a visitantes e moradores, ao mesmo tempo, qualidade de vida, segurança, serviços e oportunidades. Tudo com a possibilidade de ver paisagens deslumbrantes a partir de qualquer janela. Mas há um imenso desafio que precisa ser enfrentado com urgência: problemas de saneamento básico podem comprometer nossos diferenciais em futuro não tão distante.

Verão após verão, o mapa da balneabilidade vira uma espécie de boletim informal da nossa infraestrutura. Quando aparecem manchas vermelhas em locais emblemáticos, não estamos falando apenas de um problema ambiental. Estamos falando de turismo prejudicado, de moradores expostos a riscos sanitários e de uma economia que perde valor.

A capital avança, é verdade. Hoje, praticamente toda a população tem acesso à água e poucos anos de 60% do esgoto é coletado e tratado. Mas isso ainda significa que uma parte relevante da cidade segue pendendo de soluções individuais, como fossas, muitas vezes sem fiscalização adequada, ou simplesmente convivendo com sistemas sobrecarregados, especialmente nos períodos de alta temporada.

O problema não é só técnico. Florianópolis cresce, recebe cada vez mais visitantes, adensa bairros inteiros e, ainda assim, trata o saneamento como se fosse um obra invisível, aquela que podem sempre deixar para depois. O resultado é conhecido: rios e lagoas pressionados, praias que oscilam entre próprias e impróprias, e um custo silencioso para a saúde pública.

Saneamento não é um tema “chato” do planejamento. É política de desenvolvimento. Cada real investido nessa área retorna em valorização urbana, em turismo mais qualificado, em menos internações e em mais qualidade de vida. Não por acaso, as cidades que resolveram essa equação há décadas colhem hoje os frutos.

Florianópolis precisa fazer o básico: concluir as obras em andamento, ligar mais casas à rede de esgoto onde ela já existe, parar de fingir que o problema se resolve sozinho. Sem isso, a cidade continuará convivendo, verão após verão, com praias interditadas, rios doentes e uma conta que acaba sempre sobrando para a população.

(ND, 28/01/2026)


Publicado em 28 janeiro de 2026

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Artigos, Meio Ambiente, Radar, Saneamento
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