Um sistema de saúde sustentável para Florianópolis

Artigo de Sergio Marcondes Brincas
Diretor-presidente do Grupo Baía Sul

Cuidar da saúde de uma cidade é um desafio semelhante ao cuidado com o meio ambiente, porque não existe terceirização possível. Assim como a preservação ambiental começa em casa, a sustentabilidade do sistema de saúde depende do poder público, iniciativa privada e sociedade civil, atuando de forma integrada e responsável. Nenhum desses elementos, isoladamente, é capaz de sustentar a complexidade que o setor exige.

Em Santa Catarina, o modelo de redes hospitalares nasceu da união de diferentes forças da sociedade. Grandes estruturas foram erguidas por iniciativas comunitárias, religiosas e associativas que perceberam a necessidade de oferecer serviços de saúde organizados e permanentes para suas comunidades.

Com o tempo, ficou claro que esse espírito comunitário precisava caminhar junto com a profissionalização da gestão. Não se tratava apenas de criar hospitais, mas de garantir sua sustentabilidade. Por isso, esse arranjo evoluiu para reconhecer que as instituições de saúde, mesmo quando nascem de movimentos sociais ou filantrópicos, precisam ser eficientes, modernas e capazes de atender à crescente complexidade assistencial.

Nos últimos anos, esse processo entrou em uma nova fase, mais profunda e estruturada. Infraestruturas foram renovadas, processos foram revistos e, sobretudo, a cultura assistencial evoluiu.

A participação dos médicos, que historicamente ergueram muitos dos nossos hospitais, continua essencial. Mas é impossível avançar sem que o setor público participe dessa equação de forma coordenada, garantindo previsibilidade e continuidade, algo desafiador em um cenário de mudanças a cada quatro anos.

A saúde também é uma grande força econômica. Hospitais empregam milhares de pessoas, retêm capital dentro da própria cidade e irradiam desenvolvimento. Quando bem planejados, reduzem o desperdício, aliviam a pressão sobre o sistema público e promovem impacto social direto, especialmente para a população de baixa renda.

Por isso, não há milagres: há planejamento. Precisamos olhar para cinco, dez anos à frente. Como vamos enfrentar o envelhecimento da população, os picos epidemiológicos ou as demandas de alta complexidade? Como evitar que crises de dengue, sarampo, síndromes respiratórias desestabilizem toda a rede? A resposta está na construção conjunta.

Quando Estado, iniciativa privada e indústria sentam à mesma mesa, conseguimos reorganizar sistemas, eliminar ociosidades e garantir que a cidade esteja preparada para o que vem pela frente.

Florianópolis tem todas as condições para consolidar um modelo de saúde referência no país. Mas isso exigirá continuidade, diálogo e visão de longo prazo. É essa a provocação que deixo: que possamos, juntos, construir uma cidade capaz de planejar antes de precisar reagir. Porque saúde sustentável não se improvisa, se planeja.

(ND, 28/11/2025)


Publicado em 01 dezembro de 2025

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Artigos, Radar, Saúde
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