Academia Catarinense de Letras celebra 105 anos

Artigo de Lélia Pereira Nunes
Presidente da ACL (Academia Catarinense de Letras)
A literatura catarinense parida nos 295 municípios e numa Ilha-Capital é alimentada pela alma catarinense e por vozes de todas as gerações. Neste ano, celebramos 105 anos do seu nascimento, criada sob a liderança de José Arthur Boiteux (1865-1934), o notável ícone da historiografia catarinense quando secretário de Estado de Hercílio Luz.
Inspirando-se na Academia Brasileira de Letras, a antiga Sociedade Catharinense de Letras passa a ser “Academia Catarinense de Letras”, compreendendo 40 acadêmicos/as. Atualmente são 38 membros e duas cadeiras vagas por morte dos titulares: Osvaldo Della Giustina (cad. 34) e Salomão Ribas Júnior (cad. 38).
A insigne instituição cultural tem, ano após ano, dado posse a novos escritores, novas vozes que se fazem ouvir na prosa ou na poesia com a força da expressão literária de um escritor. Para muitos, a ACL é uma instituição conservadora por manter princípios e valores da época de sua fundação.
Na verdade, nos dias atuais, abriu suas portas e janelas para receber escritores de mente aberta para as mudanças sociais em curso no mundo, como o reconhecimento das conquistas da mulher na sociedade e do seu protagonismo nas diferentes áreas do conhecimento. Os homens das Letras, em 1927, deram posse à Maura de Senna Pereira, aos 26 anos, enquanto a sociedade catarinense timidamente aceitava os novos papéis a serem desempenhados por suas filhas.
Uma história de 105 anos precisa ser contada e dada a conhecer aos catarinenses de todas as idades, inspirar jovens escritores e poetas – os acadêmicos do futuro e para salvaguardar o legado de um corso de iluminadas memórias da literatura dos catarinenses.
Neste ano, a ACL deu posse a dois jovens, brilhantes e premiados escritores: o ilhéu ensaísta Marcelo Vieira do Nascimento; e o romancista Maicon Tenfen, de Ituporanga, vencedor do Prêmio Catarinense de Literatura Cruz e Sousa 2025 da FCC.
Em noite de festa, a Casa José Boiteux abriu suas portas para dar passagem ao novel acadêmico, o médico e cronista Murillo Ronald Capella, cuja trajetória literária é de inegável valor e reconhecida por toda Santa Catarina, ao lado do seu caminhar como médico pediatra, professor e gestor público à frente de instituições de saúde e cargos da administração pública. Por onde passa, Murillo Capella é referência e reverenciado por inúmeras homenagens no país e no exterior.
Agora, a ACL recebe o jovem acadêmico Murillo, no seu fraterno convívio, com a certeza absoluta que cumprirá com firmeza a lídima missão na defesa dos valores culturais, da literatura catarinense, da língua portuguesa e da liberdade de expressão, como os ilustres instituidores o fizeram no outono de 1920. Seja muito bem-vindo, Murillo Ronald Capella, para tomar seu lugar na cadeira de número 13.
(ND, 14/11/2025)
Publicado em 14 novembro de 2025