Rendeiras e rendeiros recebem homenagem por preservar cultura centenária em Florianópolis

A Câmara Municipal realizou, na tarde desta terça-feira (28), um grande expediente em homenagem à tradição da renda de bilro, memória viva da herança açoriana presente no cotidiano da cidade. A cerimônia marcou o Dia Municipal da Rendeira e do Rendeiro, celebrado em 21 de outubro, e contou com a entrega do diploma de Honra ao Mérito a 26 personalidades que mantêm viva essa cultura. A homenagem foi proposta pelo vereador Dinho (União Brasil), autor da lei que instituiu a data.

Em seu pronunciamento, o vereador Dinho destacou a importância de preservar essa tradição:
“Essa é uma das minhas principais bandeiras nesta casa. Desde que cheguei, em 2009, busco resgatar e valorizar o máximo daquilo que ainda existia. A renda de bilro, o boi de mamão, o pau de fita, nossas redes e os rostos dos pescadores são expressão de uma arte que cruzou o Atlântico há quase 300 anos e se espalhou pelo nosso litoral. Junto com o professor Sérgio, da Casa dos Açores, tivemos a ideia de criar uma data oficial para valorizar a rendeira e o rendeiro, em homenagem aos açorianos que trouxeram consigo essa tradição. Nosso objetivo é que essas mulheres e homens transmitam seus conhecimentos às futuras gerações, mantendo viva uma cultura que está na nossa alma, no nosso sangue e no coração de cada artesã e artesão.”

O presidente da Casa dos Açores de Santa Catarina, Sérgio Luiz Ferreira, também ressaltou a relevância da lei:
“Desde sua criação, em 2009, percebemos grandes avanços na valorização da renda. A cada ano, mais pessoas se interessam e aprendem essa arte, o que demonstra a perenidade da tradição e sua importância cultural para Florianópolis e para toda a população. É motivo de orgulho ver que a Câmara não apenas aprovou a lei, mas continua celebrando e homenageando aqueles que contribuem para fortalecer a identidade cultural da cidade.”

Entre os homenageados, Nerivalda Duarte de Sousa refletiu sobre o significado de ser rendeira:
“Receber um certificado é um reconhecimento muito especial. Ser rendeira significa preservar uma história e uma tradição que nos conecta aos nossos antepassados. Cada trançar dos bilros é como reviver essa memória, que continua viva até hoje.”

Dona Paulina Etelvina dos Anjos, aos 85 anos, faz renda há 77 anos, tradição herdada de sua mãe. Sobre a homenagem, ela disse:“É um orgulho enorme. Esta tradição representa meu passado, meu presente e também meu futuro. Receber esse reconhecimento é muito emocionante.”

A solenidade reforçou o valor histórico e cultural da renda, evidenciando a importância de manter vivas as práticas artesanais que formam a identidade açoriana de Florianópolis.

(CMF, 28/10/2025)


Publicado em 29 outubro de 2025

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