Entre o mar e os morros, cada metro quadrado no Centro da Capital vale mais

Entre o mar e os morros, o coração de Florianópolis continua sendo um dos endereços mais disputados da Capital. Um levantamento da Alphaplan mostra que o valor médio do metro quadrado no Centro e em bairros próximos — Trindade, Itacorubi, Santa Mônica, Pantanal, Carvoeira e Saco dos Limões — chega a R$ 19.559. Atualmente, 548 imóveis estão à venda nessas regiões, revelando um mercado dinâmico e em constante transformação.

O perfil das novas ofertas mostra uma mudança clara de comportamento. Os lofts dominam os lançamentos, acompanhando a tendência de um público mais jovem, formado por profissionais em início de carreira e estudantes que buscam praticidade e boa localização.

Ao mesmo tempo, apartamentos de dois e três quartos continuam com alta procura, impulsionados pela proximidade de escolas, hospitais e órgãos públicos — fatores que mantêm o interesse de famílias por essa região central.

“Existe uma demanda muito grande, mas precisamos resgatar esse nosso Centro. Aquele projeto em relação ao Centro Leste da cidade fazendo que haja mais habitação”, afirma o presidente do Sinduscon da Grande Florianópolis, Carlos Leite.

Mobilidade ativa

Além da valorização imobiliária, o Centro de Florianópolis está no foco de projetos de revitalização urbana. Em setembro, entidades da Capital anunciaram um estudo para repensar o centro da cidade, que será conduzido pelo renomado arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl — referência mundial por liderar a reestruturação do centro de Copenhague, na Dinamarca.

O trabalho de Gehl é conhecido por transformar áreas urbanas em espaços voltados para as pessoas, priorizando a mobilidade ativa, o uso democrático dos espaços públicos e a qualidade de vida urbana.

“O principal desafio é mudar uma cultura que, infelizmente, ainda temos, que pra tudo precisamos de carro quando, na realidade, o nosso Centro poderia ser percorrido a pé ou de bicicleta”, enfatiza.

Pouca oferta, alta valorização

Enquanto o projeto de revitalização avança, os números confirmam: Centro e Agronômica seguem no topo do ranking dos bairros mais valorizados de Florianópolis. A combinação entre infraestrutura, localização e qualidade de vida continua atraindo investidores e novos moradores.

“Tem uma frase que eu gosto de falar que pra errar em Florianópolis, tem que ser muito bom porque tem que ser especialista em fazer coisa errada pra conseguir fazer um mal investimento na Capital por conta da escassez, por conta da área territorial habitada, por conta da beleza natural”, comenta Jeferson Gralha, CEO da Gralha Imóveis.

A escassez de oferta é um dos principais fatores que impulsionam a valorização. Com poucas opções disponíveis e um público cada vez mais interessado em morar perto de tudo, os preços sobem. Em Florianópolis, dois terços da área são de preservação ambiental e apenas um terço é ocupável, o que ocasiona uma oferta limitada.

“Por um lado tem a questão da valorização, por outro acaba limitando a condição de compra das pessoas, mas inevitavelmente a gente nunca deve ter um excesso de oferta”, explica Daniel Dimas, CEO da Dimas Construções.

No fim das contas, viver perto de tudo tem seu preço — e, para muitos, pode valer cada centavo.

(ND, 16/10/2025)


Publicado em 16 outubro de 2025

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