Engenheiro que é referência em edifícios industriais lança livro em Florianópolis

Da Coluna de Fabio Gadotti (fabiogadotti.net, 09/10/2025)

Dilnei Silva Bittencourt tem cerca de 1 milhão de metros quadrados de edifícios industriais projetados – Foto: Fernando Willadino, divulgação

Com cerca de 1 milhão de metros quadrados de edificações industriais construídas em 50 anos de atuação profissional, o engenheiro civil Dilnei Silva Bittencourt lança nesta quinta-feira (9), às 19h, na Casa Hurbana Bocaiúva, em Florianópolis, o livro “Edifícios Industriais” (Santa Editora). Escrita nos últimos quatro anos, a obra é uma referência para estudantes, profissionais e empreendedores. ‘Os primeiros edifícios surgiram com a Revolução Industrial, notadamente na Inglaterra e eram, antes de tudo, abrigo para as máquinas, não para pessoas”, disse o autor. Nesta entrevista exclusiva à coluna, Dilnei fala sobre as transformações dos projetos nas últimas décadas. Um dos desafios está relacionado às mudanças climáticas“A gente consegue hoje em dia criar um ambiente industrial bastante confortável para o ser humano apesar do caos climático que estamos vivendo”, afirma. 

O que o motivou a escrever o livro e como foi o processo de escrita?
Esse ano faço 50 anos de formado, já fiz perto de um milhão de metros quadrados de galpões, e sinto que era uma obrigação pessoal como profissional de passar o que errei e acertei, para servir de guia para a academia, escritórios de projetos e investidores. Porque o edifício industrial normalmente é determinado pelo empreendedores, que não têm, necessariamente, todas as ferramentas para tomar a melhor decisão, a decisão certa. Aprendi com esse pessoal de literatura geral que escrever tem dois tempos, como uma partida de futebol. O primeiro tempo é a leitura. E o segundo é a escrita. O escritor gaúcho Moacir Scliar dizia que a página em branco assustava. Esse livro durou quatro anos. Fui escrevendo ao longo do tempo, reunindo informações e fazendo anotações.

Ao longo das últimas décadas, o que mudou na missão de projetar edifícios industriais?
Mudou muito. Os primeiros edifícios surgiram com a Revolução Industrial, notadamente na Inglaterra. E esses prédios eram, antes de tudo, abrigo para as máquinas, não era para pessoas. Eles eram uma proteção da máquina da indústria têxtil. E absolutamente insuportáveis para o ser humano. Recentemente, talvez nos últimos 30, 50 anos, o prédio passou a considerar a presença do ser humano. Então a construção evoluiu muito. Para terem uma ideia, quando se pensava o layout de uma indústria antiga, se considerava onde entraria o produto, onde seria processado, embalado etc. Tudo era feito para a máquina. O operário tinha que estar transitando entre as máquinas, nem o roteiro dele caminhar era previsto. Então, hoje em dia, a grande evolução foi trazer conforto e segurança para o homem, do ponto de vista de iluminação e ventilação natural, acústica, qualidade do ar, circulação da máquina, suporte de saúde, banheiro. O edifício industrial passou a ser pensado hoje para as pessoas.

As mudanças climáticas também precisam ser consideradas nos projetos?
Sim. A mudança climática afeta a todos nós, em todos os setores. Até na roupa que usamos. O mundo está enveredando por um caminho bastante complicado. Para ter uma ideia, ano passado, a sensação térmica no Rio de Janeiro chegou a 63 graus. É insuportável. Então, como faço um edifício industrial que tem máquina, que gera barulho, calor e faço ele confortável? Aparecem diversas estratégias, que apresento no livro, que passam pela renovação do ar, iluminação natural, paredes térmicas, etc. A gente consegue hoje em dia, de certa maneira, criar um ambiente industrial abrigado, bastante confortável para o ser humano apesar do caos climático que estamos vivendo.

E antigos galpões industriais vem sendo transformados em centros de convivência, gastronomia e lazer, não é?
Sim, isso é interessante, que é tendência: não destruir o que foi feito. Se construí, gastei energia, mas a indústria não funciona mais, não vou demolir, e sim revitalizar. Então hoje se pensa o galpão não só como um produto industrial, mas como um produto imobiliário que pode enriquecer as cidades. Esse fenômeno começou a acontecer na Europa e nos Estados Unidos. Nova Iorque nasceu como uma cidade industrial e portuária. A parte mais bonita da cidade era cheia de galpões – que depois foram transformados em lofts, restaurantes, viraram áreas de lazer. Em Florianópolis temos o exemplo do Armazém Rita Maria.


Publicado em 09 outubro de 2025

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