Via Expressa tem caos diário para motoristas e segue longe de solução

O futuro da Via Expressa, trecho da BR-282 na Grande Florianópolis e principal acesso da região metropolitana à Ilha, continua indefinido. O presente, porém, é de caos e estresse para mais de 100 mil motoristas que trafegam diariamente no trecho.

O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) tem um projeto executivo de melhoramentos físicos e operacionais, porém, aguarda inclusão no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para avançar.

Ciente da importância da BR-282 – na sua totalidade – o governo do Estado propôs a estadualização da rodovia, desde que a estrada seja repassada com recursos para manutenção. O pedido, feito em abril, segue sem retorno.

Enquanto nenhuma solução se consolida, o trecho de apenas 5,4 km segue como um dos mais críticos em congestionamentos no Estado. Ano passado, foram mais de 200 acidentes na Via Expressa, com 226 feridos e cinco mortos.

Neste ano, até o fim de agosto, 120 acidentes e outras cinco mortes. Além das fatalidades, é um trecho caótico para dirigir, em especial das 7h às 9h e das 17h às 19h, segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Na terça-feira (23), por exemplo, dois acidentes na ponte Pedro Ivo Campos refletiram na Via Expressa.

DESAFIO DIÁRIO

Alexandre Castilho, da comunicação social da PRF, frisa que a Via Expressa é um desafio diário para a corporação e que, apesar de ser uma rodovia federal, esse trecho tem tráfego predominantemente urbano e se transformou numa grande avenida de chegada e saída da Capital.

“O fluxo é intenso a qualquer hora do dia, com motocicletas trafegando ao lado de carretas de 40 toneladas. Nos horários de pico, a ausência de rotas alternativas e deficiências no transporte público fazem a população optar pelo transporte individual, agravando ainda mais a saturação do trânsito e exigindo atenção constante para evitar acidentes”, destaca.

Transporte coletivo deve ser eleito como prioridade

Para a Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), a situação é urgente. “A Via Expressa atualmente apresenta fluidez bastante precária, com uma movimentação diária de mais de 100 mil veículos, o que resulta em congestionamentos nos horários de pico, aumento de emissões de gases de efeito estufa, além de acidentes”, avalia o presidente da Câmara de Transporte e Logística da federação, Egídio Martorano.

A solução mais adequada e econômica, segundo Martorano, é o transporte coletivo. “É preciso avançar para um transporte eficiente com qualidade, que ofereça uma alternativa ao usuário na utilização do veículo particular, com pontualidade e eficiência. Isso só será possível com investimentos que equacionem as questões da mobilidade, com soluções que já estão sendo aplicadas em outras cidades brasileiras com sucesso, por exemplo, é do BRT (Bus Rapid Transit), linhas de ônibus em faixas exclusivas, terminais de integração e parcerias público-privadas para novas concessões de terminais de ônibus com localização estratégica e garagens adequadas, integradas ao transporte coletivo e aos terminais de cargas e passageiros localizadas”, destaca o especialista da Fiesc, que ainda ressalta a necessidade de medidas, considerando o impacto do fluxo entre os bairros e cidades do continente e vice-versa, exige uma governança e um planejamento sistêmico integrando com a via metropolitana, envolvendo todos os municípios.

De acordo com o órgão, o projeto de melhorias que aguarda inclusão no PAC prevê quatro faixas de trânsito, sendo uma exclusiva para ônibus, duas faixas de acostamento, além de vias laterais com ciclovias e calçadas. A estimativa de valores é de R$ 750 milhões. Embora concluído, o projeto precisa de atualização por causa de alterações na Via Expressa após a elaboração. O órgão afirma que as desapropriações necessárias para a nova intervenção seriam mínimas, pois a obra está essencialmente inserida na faixa de domínio da rodovia.

Para Martorano, da Fiesc, essa alternativa encontra um desafio adicional face à restrição fiscal do governo federal: “Esse valor representa mais de 50% dos recursos do governo federal previstos para as BRs 470, 280, 282, 285, 158, 153 e 163 em 2025.

Apresentado em 2018, projeto não saiu do papel

O ex-prefeito de Curitiba e especialista em mobilidade, Cassio Taniguchi, lembra que a proposta de priorizar o transporte público na Via Expressa foi discutida no passado, mas não saiu do papel. “A nossa proposta na época era de ampliar a Via Expressa em uma faixa a mais, exclusiva para ônibus. Mas tendo em vista que naquela época, em 2018, o governo [Pinho Moreira, que assumiu após Raimundo Colombo sair para a disputa ao Senado] abandonou o projeto. Ficou até a terceira faixa e o transporte público não teve prioridade”, explica.

Taniguchi também destaca que um projeto de implantação do BRT chegou a ser orçado em conjunto com o setor público-privado. “O custo, naquela época, em 2018, era de R$ 1,2 bi, para levaria dois anos de obra. O projeto é muito bonito. Pena que não saiu do papel.”

Para ele, “insistir em ampliar pistas para automóveis vai congestionar mais ainda. A alternativa é o transporte público, o BRT, ônibus em canaletas exclusivas”, argumenta.

Coordenador do Observatório de Mobilidade da UFSC, grupo que tem foco no transporte público coletivo e em formas sustentáveis de locomoção nas cidades, Bernardo Meyer tem posição favorável a projetos que valorizem o transporte público na Via Expressa. “Um corredor exclusivo de ônibus facilitaria a integração do transporte público na região metropolitana, por meio de redes e linhas integradas que ligariam a Ilha ao Continente. Esse tipo de projeto garantiria ao usuário reduzir significativamente o tempo de viagem dos usuários da região e melhorar sua experiência”, salienta Meyer.

Governo fez pedido para estadualização da BR-282

Procurado para comentar o assunto, o governo do Estado alega que a BR-282 é uma infraestrutura essencial para o desenvolvimento de Santa Catarina, tanto para o Oeste quanto para a Grande Florianópolis. “É por ela que passa o crescimento regional de quase todas as regiões mais distantes do Litoral. E é por isso que o governo do Estado de Santa Catarina propôs a estadualização. O governador Jorginho Mello se comprometeu a assumir a gestão, desde que o governo federal repasse a estrada com os recursos que já são empenhados hoje na sua manutenção”, diz o governo, em nota.

A proposta prevê destravar o projeto de duplicação da BR-282 em seu trecho no interior do Estado. No entendimento do governo, a gestão estadual da rodovia ajudaria também a dar celeridade em outras soluções necessárias para as cidades catarinenses, como a região metropolitana da Grande Florianópolis.

“Essa proposta foi entregue oficialmente e representa compromisso do federal em abril deste ano. Desde então, o apelo catarinense vem sendo reiterado. A estrada está perto de completar seis meses, período em que um repasse rápido já poderia ter trazido avanços para uma rodovia importantíssima para Santa Catarina”, continua o governo do Estado, no texto.

MORRO DOS CAVALOS

O Estado informa que também espera uma resposta sobre a proposta de construção de um contorno no Morro dos Cavalos, para solucionar o risco de bloqueios no trânsito da BR-101. “Trata-se de outro gargalo de responsabilidade federal, mas que o governo de Santa Catarina está disposto a ajudar. O projeto foi protocolado no início deste mês, no Ministério dos Transportes e no Dnit. É outro esforço catarinense que segue sem retorno construtivo”, ressalta a nota.

“Essa proposta foi entregue oficialmente a representantes do governo federal em abril deste ano. Desde então, o apelo catarinense segue sem retorno. A espera está perto de completar seis meses, período em que uma resposta rápida já poderia ter trazido avanços para uma rodovia importantíssima para Santa Catarina.”

Governo do Estado,
por meio de nota

VIA EXPRESSA EM NÚMEROS

Extensão: 5,4 km

Pistas: duas pistas, com seis faixas em quase sua totalidade

Acessos: 15 acessos, considerando entradas e saídas

Velocidade média: 100 km/h para veículos leves e 80 km/h para pesados

Horários mais travados: das 7h às 9h e das 17h às 19h


BALANÇO DE OCORRÊNCIAS

Dados consolidados de 2024

Acidentes: 205

Feridos: 226

Mortos: 5

Parcial 2024
(1º/1/2024 a 31/8/2024)

Acidentes: 130

Feridos: 143

Mortos: 3

Parcial 2025
(1º/1/2025 a 31/8/2025)

Acidentes: 120

Feridos: 133

Mortos: 5

Fonte: PRF

(ND, 26/09/2025)


Publicado em 26 setembro de 2025

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