Obras para restauração da Escola Antonieta de Barros avançam nesta sexta-feira
As obras de restauração da Escola de Educação Básica Antonieta de Barros, no centro leste de Florianópolis, dão um novo passo nesta sexta-feira (11), com o lançamento da ordem de serviço, às 16h.
O edifício localizado na Rua Victor Meirelles foi doado para o município pelo Governo do Estado e será restaurado para sediar o Centro de Memória e Cultura Professora Antonieta de Barros.
Foco de disputas ao longo dos últimos 17 anos desde que foi abandonado, o espaço também será a casa do acervo do Museu Antonieta de Barros quanto do Centro de Memória, Cultura e Arte Negra Catarinense.
A data escolhida para o anúncio também marca a comemoração dos 124 anos do nascimento de Antonieta de Barros, a primeira mulher negra a ter um mandado popular no Brasil.
Restauração da escola
A obra de restauração será conduzida pela Secretaria de Infraestrutura e Manutenção da Cidade, com execução da empreiteira Litoral Engenharia e Construções LTDA – EPP.
Em detalhamento sobre as obras, a prefeitura informou que o edifício passará por reforço e recuperação estrutural e aperfeiçoamento das instalações complementares. A parte interna também será restaurada, incluindo a instalação elétrica, a climatização e a substituição de toda cobertura.
Segundo a Prefeitura de Florianópolis, serão investidos R$ 4.499.000,00. Parte do valor (R$ 4.102.061,22) é proveniente do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano. Os outros R$ 396.938,78, foram disponibilizados através de emenda parlamentar da vereadora Carla Ayres.
Disputas pelo espaço
A Escola Antonieta de Barros foi fechada em 2008. Desde então, segundo o historiador Fábio Garcia, o edifício foi disputado por diversos órgãos para uso do espaço.
Em 2018, por exemplo, as quadras de esporte passaram a ser utilizadas como estacionamento pelos servidores da Secretaria de Estado da Educação. Na mesma época, a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) tinha a concessão do espaço para a instalação da Escola do Legislativo, o que não aconteceu.
— Então, o Movimento Negro entrou na disputa, tencionando para que o lugar tivesse uma ligação com a educação e com a cultura —, conta o historiador.
A partir daí, de acordo com Fábio, as mobilizações acionaram tratativas e negociações para que o edifício não tivesse um uso descaracterizado do prédio original.
Garcia também integra o Grupo de Trabalho Escola Antonieta de Barros, formado por representantes da sociedade civil para informações sobre a restauração do prédio e um dos agentes nas discussões pelo uso do espaço.
— [Concluímos que] é preciso valorizar os espaços de memória, porque se a cidade vai se desconfigurando, se descaracterizando, as pessoas deixam de se identificar com a história; não se reconhecem com o território.
Escola Antonieta de Barros
O prédio da Escola de Educação Básica Antonieta de Barros, antes de receber esse nome, foi a sede do Colégio Estadual Dias Velho. Nesta época, Antonieta de Barros era uma importante professora da instituição e chegou a se tornar diretora.
Segundo o historiador Fábio Garcia, o lugar atendia, principalmente, às comunidades do entorno, incluindo moradores da Serrinha, Mocotó e Tico Tico.
— Na época, o IEE era visto como uma escola mais elitista, tinha outra concepção. Muitas famílias negras não conseguiam vaga lá e eram encaminhadas para essas outras unidades, incluindo a Escola Antonieta de Barros —, conta.
A escola também chegou a ser anexada como escola modelo da Escola Normal, formadora de professores; onde Antonieta também deu aulas e se tornou diretora. Atualmente, o prédio da Escola Normal é utilizado como o Museu da Escola Catarinense.
Antonieta, primeira deputada negra do Brasil
Antonieta de Barros nasceu em Florianópolis, no dia 11 de julho de 1901. Além de professora e importante agente na educação da cidade, Antonieta também assumiu uma das cadeiras da Alesc, em 1935.
Com o feito, ela se tornou uma das primeiras mulheres eleitas no país e a primeira negra a ter um mandato popular no Brasil.
De acordo com a Cátedra Antonieta de Barros: Educação para a Igualdade Racial e Combate ao Racismo da UFSC, do programa da UNESCO/Rede UNITWIN (University Twinning and Networking Scheme),
como parlamentar, ela se tornou defensora da emancipação feminina e de uma educação de qualidade para todos.
A educadora também foi a autora do projeto de lei que criou o Dia do Professor e o feriado escolar que marca a data, no Estado, o que viria a ser oficializado em todo país somente 20 anos depois.
(CBN Total, 10/07/2025)
Publicado em 11 julho de 2025