Governança Participativa em Foco: Especialistas destacam caminhos para fortalecer o papel da sociedade na construção das cidades
O terceiro painel da série “FloripAmanhã 20+ | Diálogos para o Futuro”, realizado no dia 26 de junho, trouxe o tema “Governança Participativa: O Papel da Sociedade na Construção da Cidade” e reuniu especialistas para discutir experiências e estratégias que possam ampliar o protagonismo da população nas decisões públicas.
Experiências e Ferramentas para o Fortalecimento da Participação Cidadã
Daniel Leipnitz, empreendedor e pesquisador de ecossistemas de inovação, apresentou soluções tecnológicas voltadas à participação cidadã. Entre elas, aplicativos que permitem o registro de problemas urbanos e o acompanhamento em tempo real da resposta do poder público. Diretor da Vistos Sistemas e fundador da iniciativa “Cidade Inovadora”, Leipnitz enfatizou a importância da tecnologia para gerar impacto coletivo e transformar territórios.
Já o professor Roberto Carlos dos Santos Pacheco, do Departamento de Engenharia do Conhecimento da UFSC e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento, abordou modelos baseados em redes de inteligência coletiva, com dados abertos organizados a partir das demandas das comunidades. Pacheco, que reside há 37 anos em Florianópolis, reforçou a relevância da coprodução de políticas públicas e trouxe como referência o trabalho da economista Elinor Ostrom sobre os “Commons” — bens comuns que exigem governança colaborativa e transparente.
Desafios, Referências Globais e Caminhos para o Futuro
Entre os obstáculos ao avanço da participação social foram apontadas a burocracia estatal, a fragmentação entre grupos sociais e a exclusão digital. Como alternativas, sugeriu-se a combinação de encontros presenciais nos bairros com ferramentas digitais, além da definição prévia de regras claras para as consultas públicas, incluindo cronogramas, responsabilidades e formas de prestação de contas.
Modelos internacionais também inspiraram o debate: em Barcelona, conselhos locais e mecanismos de cogestão resultaram em decisões impactantes, como a limitação do uso de imóveis para aluguel via Airbnb; em Amsterdã, o processo de revalorização participativa da marca da cidade exemplificou a aplicação dos princípios dos “Commons Urbanos”.
Como próximos passos, a FloripAmanhã irá compilar as recomendações discutidas em um resumo executivo, que será disponibilizado em breve no site da associação e encaminhado às instituições que compõem o ecossistema participativo da cidade.
A Associação FloripAmanhã é uma entidade signatária do Movimento Nacional ODS Santa Catarina.
Essa iniciativa voluntária, de caráter apartidário, plural e ecumênico, é voltada à promoção dos compromissos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Composto por mais de 500 signatários e presente em 54 municípios, o movimento atua por uma sociedade inclusiva, ambientalmente sustentável e economicamente equilibrada. Várias ações desenvolvidas pela FloripAmanhã estão diretamente vinculadas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Publicado em 01 julho de 2025